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Fusões e aquisições no Brasil crescem 33% até setembro

Depois de sofrer os efeitos da crise mundial, as operações de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras estão em plena retomada. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os anúncios de operações de fusões, aquisições, ofertas públicas de aquisição (OPA) e reestruturações societárias somaram R$ 116,7 bilhões de janeiro a setembro, um aumento de 33,4% em relação aos R$ 87,5 bilhões registrados no mesmo período de 2008.

Desse total, 32,8% referem-se a negócios com montante acima de R$ 1 bilhão, ante 19,3% do mesmo período de 2008, o que demonstra que existe uma concentração nas operações de grandes volumes financeiros.

Segundo a Anbima, o setor de alimentos e bebidas liderou o movimento de fusões e aquisições, OPAs e reestruturações societárias, respondendo por 45,5% do volume financeiro, seguido pelo setor de papel e celulose com 16,8%.

A responsável pela Subcomissão de Fusões e Aquisições da Anbima, Carolina Lacerda, disse, em nota, que este resultado foi influenciado pelas fusões da JBS Friboi com a Bertin e da Sadia com a Perdigão, além da aquisição da Seara pela Marfrig. No setor de papel e celulose, o destaque foi a operação de aquisição da Aracruz pela VCP.

A atividade de fusões e aquisições está aquecida globalmente e continuamos com uma grande movimentação de empresas brasileiras, sentindo a continuidade da tendência de consolidação em diversos setores no mercado doméstico e de formação de grandes players capazes de competir globalmente“, diz Carolina.

Além da volta do crédito, os negócios têm sido favorecidos pela recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). “O ambiente atual é mais propício para este tipo de operação porque a bolsa dá uma referência de preço“, disse a diretora gerente do Banco Bradesco de Investimento (BBI), Denise Pavarina, à Agência Estado. Segundo ela, o mercado de fusões e aquisições não parou nunca, mas muitos negócios deixaram de ser fechados durante a crise porque as partes não chegavam a um acordo sobre preço.

Dentre os setores que mostram maior movimentação neste sentido estão o setor de alimentos e de serviços, segundo Denise. “De maneira geral observamos que as empresas buscam maior escala para melhorar suas margens“, disse. Segundo ela, 2009 está sendo um ano muito mais movimentado do que era esperado pelo banco de investimentos.

A divisão de banco de investimentos da Corretora Planner, que iniciou a atividade há cerca de quatro meses, também tem várias operações encaminhadas para os próximos meses. De acordo com o diretor da área, Reinaldo Hossepian, que trabalhou nos bancos Votorantim e Concórdia, muitos setores estão aquecidos, como o de alimentos, serviços, tecnologia da informação e financeiro. “Isso se deve à recuperação do mercado de capitais e das emissões de dívida no mercado de renda fixa“, disse.

Na opinião dele, a expectativa de crescimento das classes C e D deve atrair o interesse de investidores nacionais e estrangeiros na compra de empresas das áreas de varejo, educação e alimentos, que têm um grande crescimento potencial.

Advogados especializados na área apontam que vários negócios estão sendo induzidos também pela má situação financeira de algumas empresas após a crise. Segundo o advogado Ricardo Ferreira de Macedo, do BPGM Advogados, o endividamento de empresas dos setores sucroalcooleiro, de alimentos e imobiliário deve acelerar a consolidação nesses mercados. “A dívida é um dos fatores que induz negócios nessas áreas“, disse. Um dos exemplos mais emblemáticos ocorreu com a compra da Sadia pela Perdigão, motivada pelas perdas que a Sadia teve com operações com derivativos.

O escritório de advocacia Mello Dabus & Rached está tocando atualmente sete operações de fusões e aquisições nos setores de construção, varejo, medicina diagnóstica e de concessionárias de automóveis. Segundo o advogado Rodrigo Mello, a situação financeira delicada é o principal estímulo para estes negócios. “São empresas que precisam de investidores com disponibilidade de recursos“, disse. As informações são do jornal “O Estado de S.Paulo“.

Fonte: Último Segundo

Novas leis ameaçam exportação do Brasil

Estão surgindo novas ameaças às exportações brasileiras nos maiores mercados do mundo: Estados Unidos e União Europeia. Três grupos de barreiras preocupam: ambientais, trabalhistas e de segurança. Deputados americanos e europeus debatem novas legislações sobre esses temas, que são foco da agenda comercial.

Estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta que por ano 15,4% das exportações brasileiras para os EUA – o equivalente a US$ 5 bilhões – estão na mira da nova legislação americana de mudanças climáticas. A lei pode atingir as vendas brasileiras de aço, celulose, papel e alumínio.

O aquecimento global tornou o tema ambiental urgente. O presidente Barack Obama deu sinais de que está disposto a assumir compromissos na reunião de Copenhague. Preocupadas em ficar em desvantagem com outros países, as empresas americanas exigem compensações.

Existem dois projetos sobre o tema no Congresso americano. O mais provável é que sejam aprovadas medidas que obriguem os importadores a comprar licenças para emissão de carbono. “Isso joga o ônus da adaptação nos países em desenvolvimento“, disse o diretor de relações internacionais da Fiesp, Mário Marconini.

A União Europeia também estuda a adoção de uma “taxa de carbono” contra produtos importados, caso os países emergentes não se disponham a assumir compromissos equiparáveis aos ricos de redução de emissões em Copenhague.

Segundo a consultora da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sandra Rios, essas tarifas distorcem a negociação climática, que reconhece que os países ricos e em desenvolvimento têm responsabilidades diferentes pelo aquecimento global. “O problema é que essas tarifas vão equiparar os esforços. As nações emergentes têm de manter seu crescimento.

Nas discussões trabalhistas, os sindicatos ganharam força para defender regras rígidas em acordos comerciais, depois do desemprego causado pela crise e do apoio decisivo a Obama. A maior preocupação é com o trabalho escravo e infantil.

Tramita no Congresso dos EUA um projeto para reformar a lei de aduanas. Segundo o diretor executivo da Coalização das Indústrias Brasileiras, com sede em Washington, Diego Bonomo, pode entrar em vigor uma nova lista de produtos feitos com trabalho escravo e infantil, que ficariam impedidos de entrar no país. A lista inclui 13 itens brasileiros, como algodão, calçados e tabaco.

A segurança também ganhou relevância desde os ataques de 11 de setembro de 2001. O Congresso concedeu um mandato para o Executivo americano escanear 100% dos contêineres que chegam ao país. Existe um projeto-piloto, mas a administração federal argumenta que não há condições de colocar a lei em prática.

Fonte: Estadão

G20 concorda ser cedo para encerrar estímulos

As autoridades do G20 concordam que é cedo demais para encerrar os pacotes de estímulo econômico, já que a recuperação global ainda é frágil, disse o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, em entrevista à Reuters.

Darling é o anfitrião da terceira reunião neste ano dos ministros das Finanças e autoridades de bancos centrais do G20 na Escócia, nesta sexta-feira, que visa caminhar com os acordos fechados no encontro anterior, em setembro.

Desde aquele encontro surgiram sinais de que a economia mundial está finalmente saindo da pior recessão em décadas, mas Darling disse que é prematuro declarar vitória e que as medidas excepcionais adotadas por vários países durante a crise precisam continuar em vigência por enquanto.

Acho que podemos chegar a um acordo para assegurar que não removeremos o apoio muito cedo, porque a recuperação não está se estabilizando em todos os lugares“, disse ele.

O principal debate da reunião provavelmente será como conseguir um crescimento mais equilibrado no futuro e prevenir novas crises.

Há um consenso de que podemos trabalhar juntos para que a próxima década seja de crescimento e de geração de empregos“, afirmou Darling.

O essencial neste fim de semana é como fazer isso, mas estou confiante de que as pessoas querem se empenhar nisso.

Fonte: Reuters

Fiesp: Atividade industrial dá sinais de recuperação

Os dados da atividade industrial paulista no mês de setembro demonstram uma tendência “incontestável” de recuperação, avaliou hoje o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini. Dos 19 setores que compõem a pesquisa do Indicador do Nível de Atividade Industrial (INA), 17 apresentaram crescimento e apenas dois tiveram resultado negativo. O INA subiu 4,3% em setembro na comparação com agosto no cálculo com ajuste sazonal, no melhor resultado desde abril de 2008, quando o indicador subiu 5,5% ante março.

É um resultado muito bom e expressivo. Finalmente tivemos um número incontestavelmente positivo e forte, que sinaliza uma tendência de continuidade da atividade industrial até o fim do ano“, afirmou. O resultado de setembro foi puxado principalmente pelo crescimento das vendas reais da indústria, de 7,5% em setembro na comparação com agosto.

Até os setores mais afetados pelos desdobramentos da crise no País apresentaram desempenho positivo. O nível de atividade de Metalurgia Básica, por exemplo, aumentou 3,8% em setembro ante agosto, no índice com ajuste sazonal. As vendas reais do setor tiveram elevação de 17,7%. “O setor foi um dos mais ofendidos pela crise, mas finalmente eliminou estoques e os sinais de recuperação começam a surgir“, afirmou Francini.

Fonte: Estadão

Câmbio: Real forte já faz indústria deixar o Brasil

Indústria cobra revisão total do sistema tributário e aponta problemas como gargalos em infraestrutura, juros altos e falta de crédito.

Mais do que prejudicar a competitividade de muitos setores no comércio exterior, o câmbio já detonou um processo de desindustrialização no Brasil, e um dos ramos mais afetados é o de máquinas e equipamentos, essencial para promover o investimento produtivo.

Outros segmentos também se ressentem da queda do dólar, como o de calçados, o de vestuário, o têxtil, o eletroeletrônico e o automobilístico. Eles veem suas exportações caírem e sofrem com a invasão de importados – cuja origem quase sempre é a China, que controla sua moeda para impulsionar exportações.

Exemplos não faltam de indústrias que deixaram o país e passaram a ser meros distribuidores de produto importado de suas matrizes, diz José Velloso, vice-presidente da Abimaq (que reúne os fabricantes de máquinas e equipamentos).

Cita a norte-americana Cameron, que fechou uma fábrica de equipamentos para produção de petróleo neste ano no interior de São Paulo, menos de três anos após sua abertura. A firma tinha mil empregados. Agora, conta com apenas 20.

Esse é só um caso. Para muitas empresas, vale mais a pena se tornar representante da matriz e vender máquinas importadas“, afirma.

Fonte: O GLOBO

Impostos Brasileiros: Gestores globais reagem mal à mudança de regra

IOF: Mais do que custo de 2%, medida trouxe insegurança jurídica para o estrangeiro.

A taxação sobre o capital estrangeiro direcionado para a bolsa e renda fixa causou mal-estar entre gestores internacionais de recursos. Nem tanto pela alíquota de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas pela mensagem que o governo brasileiro deixou no ar de que, no meio do caminho, pode mudar as regras do jogo.

Essa taxação prejudica a imagem do Brasil e não vai ter efeito algum sobre a moeda“, afirma o diretor da gestora americana BlackRock William Landers. Na opinião dele, o real está valorizado em relação ao dólar, assim como ocorre com outras moedas de mercados emergentes, porque os fundamentos do país estão melhores.

Responsável pela gestão de US$ 8 bilhões em fundos dedicados à América Latina, sendo US$ 6 bilhões em ações de empresas brasileiras, Landers diz que ficou surpreso pelo fato de a medida incluir o mercado acionário e teme novas mudanças. “Não concordo com o imposto, investimos no Brasil porque acreditamos na história do país.” Ele ressalta, no entanto, que alguns mecanismos podem ser usados para fugir da nova tributação.

Dependendo do papel, segundo ele, a exposição em Brasil pode ser feita via American Depositary Receipts (ADR, recibos de ações negociados na bolsa de Nova York). “Eu já compro ADR que tem liquidez, até porque é mais barato, só que agora vou passar a olhar mais para esse mercado“, afirma. Landers acrescenta, no entanto, que vai continuar comprando no mercado local ações de empresas brasileiras de pequeno e médio portes que não têm ADR. “Vou colocar os 2% na conta do retorno esperado“, explica.

O fluxo para o país não vai cessar por conta de uma alíquota de 2%, especialmente no caso de investidores de longo prazo, acredita Frederico Sampaio, diretor de investimentos no Brasil da também americana Franklin Templeton. Mas, ele ressalta que a instituição do imposto trouxe incertezas regulatórias que podem inibir a entrada de certos investidores. “No mínimo, eles vão parar para analisar os impactos da medida.”

Além do aumento no custo de capital das empresas brasileiras, Sampaio acredita que a medida do governo pode desestimular a criação de novos fundos dedicados a ativos brasileiros para distribuição no varejo de países com sobra de poupança, como Coreia ou Japão. Isso porque essas estruturas, explica o diretor, são montadas dentro de um planejamento de longo prazo, levando em conta um determinado arcabouço regulatório.

Ainda não notamos saída de capital, mas não dá para saber se o dinheiro vai continuar entrando nesse tipo de fundo.” A Franklin administra no mundo mais de US$ 520 bilhões em ativos. No Brasil, entre ativos de renda fixa, ações e fundos de private equity, são US$ 13 bilhões.

Diferentemente de grandes investidores institucionais, que entram com volumes vultosos no mercado para ficar por quatro, cinco anos, esses fundos para o varejo são abertos e, portanto, têm entrada e saída de recursos toda hora. Ficou mais complicado administrar a incidência de imposto na entrada dos recursos para aplicação em ações brasileiras, afirma Sampaio. Para ele, estruturas sintéticas, em que o dinheiro não ingressa efetivamente no país, podem ser mais usadas nesses casos.

E isso, se acontecer, pode reduzir a liquidez na bolsa brasileira, ressalta Sampaio. Ele vai além: o governo não deveria correr o risco de ficar sem esse canal de acesso a recursos, que só contribui para o desenvolvimento do mercado de capitais. “Até porque o poder discricionário de como usar os recursos captados fica com as empresas“, diz. Além disso, Sampaio lembra que a história e os estudos acadêmicos já mostraram que o efeito de uma medida como a anunciada pelo governo brasileiro no câmbio é transitória.

Fonte: Valor Econômico

Câmbio: Dólar deve atingir recorde de baixa

Apesar do IOF, perspectiva é de ingresso de recursos, inclusive dos exportadores.

Os exportadores estão com aproximadamente US$ 16 bilhões no seu caixa no mercado externo acumulados em 12 meses e tendem a entrar com esses dólares no país toda a vez que as cotações da moeda americana forem para cima. Tornam ainda mais difícil, dessa forma, qualquer possibilidade de desvalorização sustentada do real, apesar das tentativas do governo com a criação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% sobre títulos de renda fixa e variável para o estrangeiro no país.

Por enquanto, ao manter os dólares lá fora, os exportadores têm ajudado a conter uma valorização mais forte do real. Em setembro, apesar do superávit de US$ 1,329 bilhão na balança comercial, os importadores compraram no mercado de câmbio interno US$ 3,225 bilhões a mais do que os exportadores venderam: um recorde histórico, ainda mais para um país de saldo comercial positivo. Com isso, o acumulado em 12 meses vai para US$ 13,811 bilhões, um recorde.

Os exportadores agora não têm mais prazo para ingressar com seus dólares e podem ficar com o dinheiro no exterior esperando um dia de valorização na cotação“, afirma Leonardo Lima, diretor-gerente do JPMorgan. Com isso, amenizam a volatilidade no câmbio. Mas, por outro lado, mantêm um estoque de dólares no exterior que pode ingressar no país a qualquer momento se o dólar subir e impedem uma desvalorização do real.

Em 12 meses, até setembro, os exportadores venderam efetivamente no exterior US$ 15,844 bilhões a mais do que o câmbio contratado para exportação no período. É um valor semelhante ao total de investimento direto líquido que ingressou no país durante este ano até agosto.

O caixa externo dos exportadores contribui para reforçar a posição dos analistas dos bancos, de que, mesmo com o novo imposto, o dólar poderá testar em breve seus recordes nominais atingidos em 2008, quando as cotações bateram R$ 1,56 em agosto. “Os fluxos externos ao Brasil são de natureza estrutural e o IOF só reduz esses fluxos na margem“, diz Drausio Giacomelli, estrategista do Deutsche Bank para América Latina e Europa. “O IOF só adiciona areia na engrenagem , mas não muda a sua direção“, avalia.

Ilan Goldfajn e Aurelio Bicalho, economistas do Itaú, não esperam impactos persistentes no mercado de câmbio com o IOF e mantêm sua projeção de taxa nominal de R$ 1,70 para o fim deste ano. “Avaliamos que a medida pode até ter algum impacto no curto prazo, mas no passado este tipo de ação não se mostrou eficaz para alterar de forma permanente a taxa de câmbio“, dizem. Eles lembram que em março de 2008, quando o IOF foi adotado para combater a apreciação do real (alíquota de 1,5%, mas somente sobre fluxos de renda fixa), a taxa de câmbio depreciou-se acima de 4%, para voltar a apreciar-se e o dólar atingir sua cotação mínima de R$ 1,56.

Giacomelli acredita que o caminho do dólar até os níveis inferiores ao R$ 1,60 será gradual. Sua cotação provavelmente só chegará lá no primeiro semestre de 2010. “Há menos fundos de hedge alavancados investindo no país hoje do que existia em 2007 e 2008, por causa de menor disponibilidade de crédito“, diz. A maior parte do investidor é de fundo mútuo, de pensão ou fundo de “real money“, definiu.

A maior parte do dinheiro tem vindo mesmo para a bolsa: foram US$ 13,28 bilhões de ingresso líquido de janeiro a agosto, na comparação com os US$ 3 bilhões do mesmo período do ano passado. O ingresso líquido de recursos para títulos de renda fixa negociados no país chegou a apenas US$ 3,442 bilhões neste ano, na comparação com os mais de US$ 15,661 bilhões do mesmo período do ano passado. Os estrangeiros estão ajudando pouco, neste ano, a financiar a dívida interna brasileira.

O diferencial entre os juros da dívida interna, em reais, e os juros em dólar está alto em padrões históricos“, diz Giacomelli. Mas a perspectiva de alta na taxa básica Selic em 2010 tem mantido o investidor longe das posições compradas em juros em reais. No mercado futuro da BM&F Bovespa, a posição dos estrangeiros em moeda continua comprada em dólares e não em reais e cresceu para um total de US$ 3,6 bilhões.

Giacomelli aposta que há espaço para o investimento em renda fixa no país crescer, apesar do IOF. Ele diz que, inicialmente, os investidores decidiram comprar títulos de renda fixa brasileiros no exterior, em dólar, mas hoje os prêmios de risco caíram muito no mercado internacional. Não é à toa que a Petrobras está para lançar papéis com dois prazos diferentes: uma parcela de prazo de vencimento em 10 anos e outra de prazo de vencimento em 30 anos.

No mercado interno, segundo os rankings da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), o total de ativos externos sob custódia que entraram no país para renda fixa e ações por meio das regras da circular 2689 foi a R$ 368,59 bilhões em agosto, bem próximo do total de R$ 370,4 bilhões de junho do ano passado. Em setembro do ano passado, o volume caiu para R$ 295 bilhões e em dezembro, para R$ 247,66 bilhões. O ingresso foi de R$ 121 bilhão somente neste ano.

Fonte: Valor Econômico

Câmbio: O que aconteceria em caso de um colapso do dólar?

China sofreria, e bancos expostos a risco cambial poderiam quebrar.

A crise financeira nos ensinou que os mercados podem cair mais e mais rápido do que as pessoas esperam. O preço das moradias nos EUA, por exemplo, caiu por três anos seguidos a começar de 2006, embora a sabedoria convencional dissesse até então que os preços não iriam cair nem um pouco.

Vamos aplicar isso ao dólar, que também deveria resistir a uma crise. Após se enfraquecer gradualmente desde 2002, a moeda americana subiu com a crise financeira do ano passado. Mas acumula uma desvalorização de cerca de 15% desde março, quando os investidores passaram a mudar para moedas de maior rendimento. A sabedoria convencional diz que a esses níveis, o dólar está barato, prestes a iniciar uma recuperação. “As moedas não avançam muito mais que 20% em relação às suas médias de longo prazo em termos reais (ajustado à inflação). Já estamos lá“, afirma Michael Dooley, economista, fundador e analista-chefe da Cabezon Capital Management, firma de investimentos de São Francisco.

Assim, vale ao menos cogitar a possibilidade de um “colapso” do dólar. A razão de o estouro da bolha imobiliária ter tido efeitos tão devastadores foi a falta de imaginação: bancos, autoridades reguladoras, agências de avaliação de crédito e outros simplesmente não conseguiam acreditar que os preços das casas cairiam do jeito que caíram, de modo que todos foram pegos de surpresa.

Imaginemos que o dólar caia rapidamente mais 25% contra cada uma das grandes moedas mundiais, algo mais ou menos parecido com o declínio sem precedentes de 30% nos preços das casas. Isso significaria que seria preciso US$ 2 para comprar € 1. O lado bom é que as empresas americanas teriam mais facilidade para competir nos mercados internacionais, e o turismo teria uma explosão nos EUA. O lado ruim é que a inflação subiria nos EUA devido ao custo maior dos produtos importados. Os americanos teriam ainda mais problemas para obter empréstimos à medida que os compradores estrangeiros fossem saindo do mercado de dívida.

Fora, o dólar barato tornaria mais difícil exportar para os EUA, o que afetaria o crescimento do resto do mundo. A China poderia enfrentar distúrbios sociais. Guerras comerciais poderiam irromper. E haveria problemas em bancos expostos demais, aqueles que tinham certeza de que um estouro do dólar não ocorreria. Como diz o investidor Warren Buffett: “Você só descobre quem está nadando pelado quando a maré baixa“.

As autoridades reguladoras dos EUA estão monitorando os bancos em uma ampla variedade de riscos, incluindo a ameaça de uma quebra do dólar: “Não estamos acompanhando os riscos trimestre a trimestre, e sim minuto a minuto“, diz uma autoridade que pediu para não ser identificada.

Após o pico atingido no segundo trimestre, o dólar acumula queda de 11% contra o iene japonês, 16% contra o euro, 21% contra o dólar canadense e cerca de 30% contra o real e o dólar australiano, que estão se beneficiando do repique no preço das commodities. Em relação a uma cesta ampla de moedas de todos os parceiros comerciais dos EUA, ajustada à inflação, o dólar já caiu 15% desde o pico atingido no segundo trimestre.

Por trás da fraqueza do dólar está a taxa de juro de curto prazo dos EUA, perto de zero. Assim como fizeram antes com o iene, investidores estão tomando dólar barato emprestado para vendê-los e comprar moedas de países cujas ações e bônus prometem retornos melhores. O Federal Reserve (Fed) está mantendo o juro básico a 0,25% para estimular a economia americana e ajudar os bancos, mas um efeito colateral é que o dólar tornou-se o combustível preferido da aposta especulativa internacional, que o está sobrecarregando.

Uma outra força ajuda a derrubar o dólar: os contínuos déficits comerciais dos EUA, um custo que os EUA estão pagando por tomar emprestado do resto do mundo. Alguns economistas acreditam que, em algum momento, os EUA serão forçados a desvalorizar sua própria moeda para tornar seu endividamento mundial mais suportável. Embora o rombo comercial tenha caído para menos de 3% do PIB no segundo trimestre, contra o pico de 6% em 2006, ele ainda é alto pelos padrões históricos.

Alguns dos bancos centrais que sustentaram o dólar parecem estar com medo. Em vez de comprar só dólares para suas reservas internacionais, estão diversificando para outras moedas. Os países que revelam a composição de suas reservas colocaram 63% delas em euros e iene no segundo trimestre, segundo análise do Barclays Capital. Steven Englander, principal estrategista de câmbio do Barclays, diz: “O incentivo desses países é tentar uma diversificação discreta, e não ’sair fora a todo preço‘”. A China não revela a composição de suas reservas, que superam US$ 2 trilhões.

Membros do governo Obama não parecem perturbados pela queda do dólar até agora. O dólar mais fraco ajuda a diminuir o déficit comercial ao tornar os produtos americanos mais competitivos.

Mas essa calmaria pode desaparecer da noite para o dia se os mercados financeiros sentirem que a queda do dólar vai se tornar uma bola de neve sem controle. Nesse ponto, o “campo de força” invisível que protege o dólar vai sumir, afirma Martin Weiss, presidente do Weiss Group, firma de análises de dados financeiros de Júpiter, Flórida. Weiss diz: “Nos tornaríamos mortais comuns, mais vulneráveis a ataques contra a nossa moeda“.

Nesse cenário pessimista, o declínio ganha vida própria. As vendas geram mais vendas. Bancos centrais mundiais interviriam para estimular o câmbio, mas os especuladores, tendo já experimentado o gosto da vitória, não recuariam. Paul Krugman, economista da Universidade Princeton, certa vez chamou isso de cenário coiote, numa referência ao personagem do desenho animado Papa-Léguas, que perde o chão no alto de um despenhadeiro, mas só começa a cair quando olha para baixo e vê que não há nada sob seus pés.

As especulações de que o dólar poderá sofrer um colapso podem se tornar autorrealizáveis se os operadores se apressarem a deixar a moeda. Ashraf Laidi, principal estrategista de câmbio da CMC Markets, uma corretora de Londres, diz que “agora há cerca de 30% a 40% de chances de vermos o dólar cair ao ponto de configurar uma crise“.

Os otimistas com o dólar apontam que a moeda recuperou-se ultimamente. Mas Laidi não vê nisso uma demonstração de apoio ao dólar ou à economia dos EUA. Ele diz que os investidores apenas recuaram de todos os tipos de risco e colocaram seu dinheiro no instrumento de curto prazo de maior liquidez – justamente os títulos do Tesouro americano. Englander, do Barclays, concorda: “Não se trata de uma aposta de longo prazo na economia dos EUA“.

Os operadores de câmbio não dão muito crédito às declarações de apoio ao dólar forte feitas por autoridades americanas. Observam que secretários do Tesouro desde o governo Clinton vêm dizendo que apoiam o dólar forte. Mas os EUA não vêm dando apoio à sua moeda através de compras no mercado desde 1995.

Se o dólar despencar, o preço das importações pode subir mais rápido que o esperado pelos economistas. Seria um desastre para a economia se o Fed tivesse que subir a taxa de juros para conter a inflação ou defender a moeda, enquanto o crescimento segue fraco.

O dólar mais fraco deixaria os americanos mais pobres, ao reduzir o poder de compra da moeda. E não há garantias de que isso vai estimular o setor industrial americano, diz David Mallpass, presidente da consultoria Encima Global. Para ele, a queda do dólar no fim dos anos 80 mais atrapalhou que ajudou Detroit, ao dar ao Japão poder de compra para fortalecer suas montadoras. “Podemos ficar pobres a ponto de não podermos importar muita coisa e equilibraremos a balança comercial. Mas isso seria bom para os EUA?

No curto prazo, o maior risco seria a falência de quem fez apostas altamente alavancadas e que está vulnerável a uma queda do dólar. Isso afetaria não só os negócios de câmbio, mas também os de derivativos de juros e os swaps de defaults de crédito. Cinco grandes bancos responderam por 88% da exposição de risco de crédito a derivativos em todo o sistema bancário dos EUA no segundo trimestre.

Ninguém sabe se o dólar caminha para um desastre. Mas acreditar no melhor é arriscado.

Fonte: Valor Econômico

Impostos Brasileiros: Taxação de capital externo descontenta mercado e Banco Central

A decisão do Ministério da Fazenda de taxar com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) os ingressos de capitais em renda fixa e ações causou descontentamento no Banco Central e no mercado. O BC considera que a medida tem forte apelo fiscal, é inócua para o câmbio e provocará a “exportação” do mercado de capitais brasileiro. O clima entre a Fazenda e o BC piorou.

No mercado financeiro, a avaliação é semelhante: a medida não vai segurar o câmbio e só prejudicará o mercado de ações. Para Drausio Giacomelli, do Deutsche Bank, o dólar poderá testar em breve seus recordes de baixa atingidos em 2008, quando a cotação bateu R$ 1,56 em agosto. “Os fluxos externos ao Brasil são de natureza estrutural. O IOF joga areia na engrenagem, mas não muda sua direção“.

Há um componente extra de pressão sobre o câmbio. Os exportadores estão com US$ 16 bilhões em caixa no exterior e tendem a ingressar com esses dólares sempre que a cotação subir.

A bolsa foi alvo de fogo amigo“, disse o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto. Os estrangeiros são responsáveis por um terço do giro médio diário, de R$ 5 bilhões. A medida chegou num momento de forte atividade do mercado primário de ações: foram 13 ofertas públicas que movimentaram quase R$ 35 bilhões desde junho. Agora, executivos de bancos acreditam que parte dos negócios deve migrar para ADRs em Nova York – mesmo isso não ajudará o câmbio, já que, indiretamente, os investimentos continuarão fluindo ao país.

Cinco entidades do mercado manifestaram-se contra a medida, alegando que ela “reduz a capacidade do mercado de capitais brasileiro de exercer seu papel mais fundamental, o de financiar o desenvolvimento“. Assinam o documento Anbid, Andima, Abrapp, Abvcap e Abrasca.

O IOF de 2% sobre o capital estrangeiro que quer investir em renda fixa no país equivale a reduzir o juro básico a 6,58%. Avaliada de outra forma, a medida impõe uma “quarentena” de 84 dias durante os quais o capital ficará sem remuneração.

Fonte: Valor Econômico

Ações: Emergentes têm mais alto período de alta em 4 anos

As ações dos mercados emergentes subiram pelo nono dia consecutivo, em seu mais longo período de alta em quatro anos, uma vez que o aumento do investimento direto estrangeiro na China reforçou a confiança dos investidores na recuperação da economia mundial.

O Índice MSCI de Mercados Emergentes subiu ontem 0,38% em Nova York. O indicador composto por 22 países em desenvolvimento só não foi maior por conta da desvalorização das ações do Leste Europeu, puxadas pela Rússia. A queda ocorreu após os papéis da região terem sido negociados a seus níveis mais altos em relação aos lucros.

O Índice MSCI de emergentes sobe 72,08% no ano, chegando ao seu nível mais alto em 14 meses, puxado por especulações de que a China vai tirar a economia mundial da recessão, a primeira desde a Segunda Guerra Mundial. O recorde de crédito e dos gastos de incentivo do governo chinês em estradas, ferrovias, moradias e redes elétricas puxaram a recuperação da produção industrial e dos investimentos em ativos fixos do país. Além disso, fez com que os preços dos imóveis e as vendas de automóveis disparassem.

A economia mundial está começando a se aquecer, os lucros vão começar a melhorar e há um enorme volume de liquidez“, disse Anthony Lok, diretor de pesquisa, situado em Hong Kong, da BOC International Holdings, em entrevista à “Bloomberg Television“. As ações “vão continuar a subir”, segundo ele.

O investimento estrangeiro direto na China subiu 18,9% em setembro, em comparação ao mesmo mês de 2008, com a aceleração da economia do país, a terceira maior do mundo. A alta deve ser comparada com o salto de 7% registrado em agosto.

O Índice Bovespa permaneceu praticamente inalterado, uma vez que as vendas no mercado interno, inferiores ao previsto, ofuscaram as altas das empresas produtoras de metais, puxadas pelos sinais de aceleração do crescimento da China .

Fonte: Valor On Line

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