Fusões e aquisições no Brasil crescem 33% até setembro
Depois de sofrer os efeitos da crise mundial, as operações de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras estão em plena retomada. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os anúncios de operações de fusões, aquisições, ofertas públicas de aquisição (OPA) e reestruturações societárias somaram R$ 116,7 bilhões de janeiro a setembro, um aumento de 33,4% em relação aos R$ 87,5 bilhões registrados no mesmo período de 2008.
Desse total, 32,8% referem-se a negócios com montante acima de R$ 1 bilhão, ante 19,3% do mesmo período de 2008, o que demonstra que existe uma concentração nas operações de grandes volumes financeiros.
Segundo a Anbima, o setor de alimentos e bebidas liderou o movimento de fusões e aquisições, OPAs e reestruturações societárias, respondendo por 45,5% do volume financeiro, seguido pelo setor de papel e celulose com 16,8%.
A responsável pela Subcomissão de Fusões e Aquisições da Anbima, Carolina Lacerda, disse, em nota, que este resultado foi influenciado pelas fusões da JBS Friboi com a Bertin e da Sadia com a Perdigão, além da aquisição da Seara pela Marfrig. No setor de papel e celulose, o destaque foi a operação de aquisição da Aracruz pela VCP.
“A atividade de fusões e aquisições está aquecida globalmente e continuamos com uma grande movimentação de empresas brasileiras, sentindo a continuidade da tendência de consolidação em diversos setores no mercado doméstico e de formação de grandes players capazes de competir globalmente“, diz Carolina.
Além da volta do crédito, os negócios têm sido favorecidos pela recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). “O ambiente atual é mais propício para este tipo de operação porque a bolsa dá uma referência de preço“, disse a diretora gerente do Banco Bradesco de Investimento (BBI), Denise Pavarina, à Agência Estado. Segundo ela, o mercado de fusões e aquisições não parou nunca, mas muitos negócios deixaram de ser fechados durante a crise porque as partes não chegavam a um acordo sobre preço.
Dentre os setores que mostram maior movimentação neste sentido estão o setor de alimentos e de serviços, segundo Denise. “De maneira geral observamos que as empresas buscam maior escala para melhorar suas margens“, disse. Segundo ela, 2009 está sendo um ano muito mais movimentado do que era esperado pelo banco de investimentos.
A divisão de banco de investimentos da Corretora Planner, que iniciou a atividade há cerca de quatro meses, também tem várias operações encaminhadas para os próximos meses. De acordo com o diretor da área, Reinaldo Hossepian, que trabalhou nos bancos Votorantim e Concórdia, muitos setores estão aquecidos, como o de alimentos, serviços, tecnologia da informação e financeiro. “Isso se deve à recuperação do mercado de capitais e das emissões de dívida no mercado de renda fixa“, disse.
Na opinião dele, a expectativa de crescimento das classes C e D deve atrair o interesse de investidores nacionais e estrangeiros na compra de empresas das áreas de varejo, educação e alimentos, que têm um grande crescimento potencial.
Advogados especializados na área apontam que vários negócios estão sendo induzidos também pela má situação financeira de algumas empresas após a crise. Segundo o advogado Ricardo Ferreira de Macedo, do BPGM Advogados, o endividamento de empresas dos setores sucroalcooleiro, de alimentos e imobiliário deve acelerar a consolidação nesses mercados. “A dívida é um dos fatores que induz negócios nessas áreas“, disse. Um dos exemplos mais emblemáticos ocorreu com a compra da Sadia pela Perdigão, motivada pelas perdas que a Sadia teve com operações com derivativos.
O escritório de advocacia Mello Dabus & Rached está tocando atualmente sete operações de fusões e aquisições nos setores de construção, varejo, medicina diagnóstica e de concessionárias de automóveis. Segundo o advogado Rodrigo Mello, a situação financeira delicada é o principal estímulo para estes negócios. “São empresas que precisam de investidores com disponibilidade de recursos“, disse. As informações são do jornal “O Estado de S.Paulo“.
Fonte: Último Segundo

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