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O estouro de uma nova bolha americana até o final de 2009?

Tal qual escrevi em meu artigo sobre Estatísticas e Previsões relacionadas ao movimento das cotações das Bolsas de Valores durante os períodos de transição entre o fim e o início de ano, acompanhamos um relevante movimento de alta das cotações do Mercado Bovespa iniciado precisamente no dia 08 de Novembro de 2008 e que perdura até hoje (princípio de Fevereiro de 2009). As estatísticas demonstram que após um ano com forte movimento de baixa das cotações, os meses de Dezembro e Janeiro apresentam um forte movimento de alta. Este movimento de regulação dos preços durante o período de festas e férias no Brasil é tradicionalmente fomentado por bancos, fundações e fundos de investimento.

A diferença estatística apresentada durante o atual período baseia-se no início precoce deste movimento de alta iniciado no princípio de Novembro e a persistência do mesmo após o fim do mês de Janeiro. Um outro fato interessante refere-se ao descolamento apresentado pelo Índice Ibovespa em relação ao Índice Dow Jones observado durante o mês de Janeiro de 2009. Não que o movimento dos preços em Wall Street esteja em queda vertiginosa enquanto que as cotações registradas na BM&FBovespa estejam “subindo a ladeira”, mas que o movimento da Bolsa de Valores brasileira não está acompanhando a onda de pessimismo e o mal resultado das empresas no resto do mundo, realmente não está.

Antes que os ufanistas de plantão comecem a alardear o grito de independência demonstrado pelo mercado financeiro brasileiro, devemos lembrai-vos que durante o primeiro semestre do ano passado presenciamos um movimento de alta da bolsa brasileira muito mais acentuado e completamente independente do movimento registrado pelos índices americanos e europeus. Mesmo com o estouro da bolha imobiliária e das primeiras quebras de algumas potências bancárias, o Índice Ibovespa planou suavemente em “céu de brigadeiro”, abastecido pela manutenção dos preços das commodities, por “profundas” descobertas de petróleo na costa brasileira e pelo tão aguardado Investment Grade. Depois da bonança veio a tempestade - como todos vocês já sabem - com Circuit Breaks, queda vertiginosa no preço das commodities, alta do dólar e prejuízo, muito prejuízo para as empresas brasileiras, principalmente para aquelas que especularam seu capital no mercado futuro.

Este ano, as notícias ruins continuam: quebras e mais quebras de bancos ao redor do mundo, diariamente milhares de pessoas são demitidas das grandes empresas, bilhões e bilhões de dólares são despejados no mercado pelos governos tentando movimentar novamente a “roda da fortuna” … Mesmo assim, continua pairando no ar este sentimento constante de estagnação e depressão. Se no ano passado, cada notícia ruim nos afetava de forma aguda, este ano, as mesmas cronificaram, tornando-se parte de nosso dia-a-dia, afetando a nossa confiança de que o pior já passou.

O pior já passou? Segundo previsão de analistas da RBC Capital Markets, durante os próximos três a cinco anos, mais de 1000 (mil) bancos norte-americanos irão à falência. Não sei se existe mil bancos no Brasil, ou mesmo na América do Sul … Como podemos afirmar que o pior já passou?

Segundo o historiador econômico americano Niall Ferguson, autor do Best Seller The Ascent of Money - A Financial History of the World e professor de Harvard e Oxford, em entrevista à Revista Exame no início deste mês de Fevereiro, até o final de 2009 iremos presenciar o estouro da próxima bolha americana. A causa desta nova bolha é o desequilíbrio no mercado de títulos do país gerado pela dinâmica da relação entre China e Estados Unidos da América (EUA).

Segundo o professor Niall Ferguson, os EUA vêm financiando os seus pacotes econômicos bilionários e os seus déficits por meio de investimentos chineses em títulos do Tesouro Americano. Por outro lado, os chineses exportam grande parte de sua produção industrial para os americanos, obtendo dinheiro para tais investimentos. Com a estagnação da economia americana, os EUA estão importando menos dos chineses. Assim, os chineses gradativamente estão tendo menos dinheiro para financiar os EUA. O agravante: para tentar dar um empurrão em sua economia, o FED vem reduzindo gradativamente a taxa básica de juros americana, fazendo com que a remuneração sobre novos Títulos do Tesouro sejam cada vez mais baixa, o que os torna pouco atraentes para qualquer investidor. Um exemplo: as taxas de rendimento das notas de dez anos do Tesouro americano estão entre 2 - 2,4%. Para que este ainda seja um investimento atraente, o mundo inteiro deveria estar partindo para um período de deflação. Porém, segundo o professor, do jeito com que o FED vem imprimindo dinheiro de forma tão furiosa, é de se perguntar se os americanos passarão realmente por um período de deflação. O déficit americano para 2010 pode atingir 10% do PIB dos EUA. Cenário inflacionário? Desvalorização do dólar? É um cenário bem plausível, vocês não concordam?

E o Brasil? Por mais descolado do movimento do mercado financeiro americano neste fim de ano, e por mais que o Nosso Guru alardeie que já somos uma nação independente e que “a crise mundial é uma marolinha para a nossa nação”, não devemos acreditar que economia brasileira não é integrada à economia global.

Um crescimento economico projetado para 2009 de 2% é uma catástrofe? Não, não é, principalmente se compararmos este crescimento com os países mais ricos e até mesmo com outros BRICs. De todos, o Brasil parece ser o menos exposto realmente. Entretanto, praticamente um quarto do capital investido na Bovespa é oriundo do estrangeiro. Faltando dinheiro lá, ninguem vai pôr dinheiro aqui. As duas locomotivas da Bovespa - Petrobrás e Vale - dependem do preço de suas commodities para adquirirem bons resultados. Ou seja, também dependem muito da China, que está recebendo cada vez menos dinheiro por suas exportações. Vale lembrar, que a China também saiu da vitrine. Os Jogos Olímpicos já terminaram, desviando um pouco os holofotes sobre o seu desenvolvimento. Se os chineses não tem mais a pressão para investir em sua infra-estrutura e se estão com menos dinheiro para tal, o que nos faz acreditar que os preços das commodities recuperar-se-ão? Fora o fato que é mais seguro crer em um professor de Oxford e Harvard do que em alguem que após 30 anos de vida pública, ingressando em um mar de oportunidades e dinheiro para aprimorar-se intelecto-culturalmente, obteve após este período apenas um diploma de presidente.

Desculpem o desabafo final,

João Luis Benatto Torres
ADVFN BRASIL
www.advfn.com.br

11 Comments so far

  1. souzavilson on Fevereiro 11th, 2009

    O comentário é incosistente e contém inúmeros erros, o mais grave é a alegada dependência da Petrobrás da China. Além disso é preconceituoso.

  2. jltorres on Fevereiro 12th, 2009

    Caro souzavilson,
    Respeito a sua colocação mas não necessariamente a aceito. Por que você não se aprofunda um pouco mais sobre estes erros? Assim, tanto eu como os eventuais leitores deste blog poderiam aprender um pouco mais com este debate saudável.

    Em tempo, não tive a intenção de ser preconceituoso. Apenas me baseei sobre os fatos inerentes à formação intelectual e acadêmica dos referidos interlocutores que inspiraram este texto.

    Mesmo assim, obrigado pelo comentário.

    João Luis B. Torres
    ADVFN BRASIL

  3. oliveiradmso on Fevereiro 12th, 2009

    Suas Colocações são pertinentes, mas o desabafo final é uma lástima. Fico imaginando…. Se o presidente sem título nenhum conseguiu chegar a presidencia da república, imagine se ele tivesse os mesmos títulos do professor que você citou.
    Infelizmente o presidente foi muito infeliz na colocação da “MAROLINHA”, mas quem nunca errou?
    O importante é que ele errou e mudou rapidamente de postura, e isso o ajuda a se tornar um grande Presidente, paltado na Humildade. E diga-se de passagem, os Títulos de faculdades ajudam a destruir a humildade das pessoas, sendo que algumas pensam até em ser o Próprio Deus, conhecedor de todas as coisas. Desculpe-me o Desabafo!!!

  4. williamm on Fevereiro 13th, 2009

    Bom artigo,

    Eu acho que o souzavilson tem razão em argumentar contra uma dependência direta entre a Petrobrás e a China, mas eu concordo com o João Luis que a China, tanto quanto o Brasil são dependentes de exportações. Uma grande diferença no entanto é que o Brasil depende muito mais da exportação de Commodities enquanto a China exporta commodities mas também tem produção industrial e prestação de serviços. A China irá sofrer diretamente pela queda na demanda do consumidor no EUA, e o Brasil sofrerá com a inevitável queda nos commodities ligada à queda na produção industrial e a demanda mundial.

    O Brasil irá sofrer consequências da queda, e potencialmente estas serão menos severas que no exterior, mas também podem ser mais prolongadas. Uma coisa é certa, no mundo globalizado ninguém vai sair sem algumas feridas. A Europa esta paralisada e sem soluções, o Japão esta em apuros, e os olhos do mundo estão apontados para o EUA e Obama para uma solução global.

    William

  5. jltorres on Fevereiro 13th, 2009

    Caro oliveiradmso,

    Primeiramente, muito obrigado por seu comentário.

    Entendo plenamente os seus argumentos sobre os méritos de nosso Presidente da República por ter alcançado tal posição considerando a sua formação educacional precária. Entretanto, baseando-se apenas em minha humilde e particular opinião, este fato comprova apenas a sua grande esperteza e malandragem, não caracterizando de forma alguma algum tipo de preparo para o cargo que vem exercendo. Esperteza não é a mesma coisa que Preparo, assim como Inteligência e Cultura são coisas completamente distintas. Ao longo de seus dois mandatos, o nosso Presidente mais do que comprovou sua esperteza, eximindo-se sempre de qualquer tipo de culpa durante os momentos de crise, ou aproveitando-se das boas notícias para exercer seu marketing pessoal extremamente populista e demagogo. Nada muito diferente das táticas políticas usuais, porém executando-as com grande maestria e destreza. Palmas para a sua malícia.

    Esta malícia, entretanto, não o habilita para utilizar a sua posição para iludir uma população com um nível educacional tão baixo como o apresentado pela população brasileira. Principalmente comentando um assunto tão delicado e técnico como o quadro economico mundial atual. Assunto este, que o comentarista entende tanto quanto a camada da população para qual dirigiu esta mensagem cheia de intenções. É fácil para mim e para você percebermos o tamanho da bobagem contida neste comentário irresponsável, no entanto, para o fulano da silva que teve acesso ao mesmo comentário, este deve ter soado um tanto quanto messiânico.

    Concordo também que muita gente com formação acadêmica perde grande parte de sua humildade. Não vou nem considerar a qualidade das instituições que temos por aí, já que o sensato seria apenas considerarmos como curso superior não mais do que 5-10% do total de cursos oferecidos por faculdades e universidades Brasil a fora. O que não podemos fazer nunca é desmerecer quem corre atrás para se aprimorar e aprender sobre os mais diversos assuntos. O Presidente deve servir de exemplo de anti-herói, de como não se deve fazer para chegar lá. Ele mesmo deveria se posicionar como tal, para não servir de exemplo para aqueles que tiveram um início de vida difícil, mas que não são tão espertos como ele para conseguir alcançar tal sucesso na vida. Nunca devemos utilizar uma exceção como exemplo.

    Obrigado mais uma vez por seu comentário,

    João Luis B. Torres
    ADVFN BRASIL

  6. msandon on Fevereiro 13th, 2009

    João parabéns pelo artigo me parece consistente, eu te sugiro para evitar de o pessoal encher o saco quanto às evidências fazê-lo de forma acadêmica, procure: Redação Científica - A Prática de Fichamentos , Resumos , Resenhas - 11ª Ed. 2009 Medeiros, e sobre a crise para todos neste blog vejam http://dowbor.org/crise.asp.

  7. jltorres on Fevereiro 13th, 2009

    msandon,

    Obrigado pelo comentário e pela dica!

    João Luis B. Torres
    ADVFN BRASIL

  8. Fabio Evandro on Fevereiro 16th, 2009

    Joao Luis,

    Obrigado pela explanação simples e objetiva de um assunto tão complexo, ao contrário de tantos analistas renomados que falam muito e não explicam nada. Um grande abraço.

  9. jltorres on Fevereiro 16th, 2009

    Fábio,

    Muito obrigado pelo comentário. Muitos leitores não entenderam que eu apenas quis expor uma teoria sobre um dos caminhos que a situação economica atual pode seguir. Não foi uma previsão. Se fosse, eu não teria colocado um sinal de interrogação no final do título. A intenção do artigo foi realmente esta: gerar debate sobre possíveis desdobramentos desta crise. Assim que eu for obtendo mais dados para embasar ou descaracterizar esta teoria, eu os postarei da mesma forma que fiz no artigo O estouro de uma nova bolha americana até o final de 2009? - Continuação.

    João Luis B. Torres
    ADVFN BRASIL

  10. Mario Sergio on Junho 8th, 2009

    O chato é que este nosso guru não sai de bsb tão cedo…

  11. cfranco1000 on Agosto 21st, 2009

    Pode realmente estar se formando uma bolha, mas por enquanto ela ainda está crescendo. Tem muito dinheiro sobrando, e ele tem que ir para algum lugar. Quanto ao Presidente, ele não errou em dizer que seria uma “marolinha”, ele tem que falar bem do país que governa, mesmo sendo mentira. Com certeza a oposição falou que seria uma catástrofe, e caso o Lula fosse da oposição também o faria.

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