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Archive for Setembro, 2009

Taxa de juros para 2010 - juros estáveis ou alta gradual no primeiro semestre?

Aumento das projeções de inflação no Relatório de Inflação de Setembro.

Em relação ao documento de junho, o Banco Central elevou as projeções para a inflação IPCA em 2009 e 2010, que permaneceram abaixo do centro da meta de inflação de 4,5%. No cenário de referência, o Banco Central elevou a projeção para a inflação IPCA de 4,1% para 4,2% em 2009 e de 3,9% para 4,4% em 2010. No cenário de mercado, a projeção para 2009 permaneceu estável em 4,2% e, para 2010, aumentou de 4,2% para 4,4%.

Atividade doméstica tornou-se o principal fator de risco para o aumento da inflação. O Relatório de Inflação de junho apontava que os riscos para a inflação resultavam, principalmente, “da duração e da magnitude da crise mundial, bem como de seus desdobramentos sobre a trajetória da atividade econômica doméstica”. Entendemos que o documento de setembro concentrou a avaliação sobre os principais riscos para a dinâmica de inflação eminentemente nos fatores domésticos. Embora a autoridade monetária tenha continuado a apontar que “o ritmo da recuperação econômica ainda não está claro”, o documento apresentou um cenário de menor incerteza sobre a retomada da atividade doméstica em relação aos documentos anteriores.

Relatório destaca importância dos estímulos fiscais para a dinâmica da inflação. Em diversas passagens, o documento de setembro reforçou o papel da política fiscal na determinação da dinâmica da atividade e da inflação. Por exemplo, o aumento da projeção de inflação no 2S10 é explicada, em parte, pelos “impulsos fiscais esperados para o segundo semestre de 2009 e o primeiro de 2010”. O documento também assinala que o recuo da projeção de inflação no 2T11 “reflete a expectativa de que ao menos em parte esses estímulos fiscais sejam retirados a partir do 2S10”.

Mantemos expectativa de Selic em 8,75% até o fim de 2010. Nossa projeção para os juros deve-se à nossa expectativa de:

(i) desaceleração do PIB em 2010 ante o 2S09;
(ii) retomada dos investimentos;
(iii) aumento moderado dos preços de commodities; e
(iv) apreciação cambial para R$ 1,70/US$ em 2009 e estabilidade nesse nível em 2010.

Julgamos que o cenário alternativo mais provável seria o de alta gradual dos juros no 1S10. Avaliamos que os riscos de aumento expressivo da inflação no próximo ano são baixos e associados, principalmente, a eventual alta significativa dos preços de commodities. A manutenção, em 2010, do crescimento do PIB que esperamos para o 2S09 elevaria o risco de alta de juros no próximo ano. A menos que essa expansão do PIB seja acompanhada de forte alta da inflação, entendemos que o ajuste seria bem inferior ao apreçado na curva de juros de mercado (375pb, em 25 de setembro). Assumindo que não haja alta expressiva da inflação no início do ano mas que o crescimento do PIB continue próximo ao do 2S09, julgamos que o cenário mais provável seria o de aumento gradual dos juros de 25pb por reunião no 1S10.

Fundos de Investimento - Temporada de caça ao tesouro

Gestores devem criar carteiras para atrair recursos de fundos de pensão liberados por novas regras.

Está aberta a temporada de caça aos bilhões que os fundos de pensão poderão investir a mais em ações, multimercados, fundos imobiliários e no exterior. De imediato, a maioria dos analistas descarta a possibilidade de uma movimentação grande de recursos entre aplicações. Contudo, os gestores já procuram formas de atrair parte dos R$ 500 bilhões de patrimônio das fundações com alternativas de diversificação.

A flexibilização pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) das regras de investimento das fundações pode estimular, por exemplo, o desenvolvimento do mercado de fundos que aplicam no exterior. Desde que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) regulamentou, em fevereiro do ano passado, a criação de carteiras dedicadas a investir 100% do patrimônio lá fora, foram poucas as casas que se aventuraram por esse caminho.

Como esse é um nicho que está começando do zero no país, os gestores vão ter de se mexer e isso significa correr para lançar fundos e criar um histórico“, afirma o vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello. A própria SulAmérica vai seguir essa linha, conta o executivo.

O limite para aplicações fora do país pelos fundos de pensão foi ampliado de 3% para 10% na nova Resolução 3792 do CMN, que substituiu a 3456. A alteração pode não parecer significativa, uma vez que as entidades não estavam usando o percentual permitido. Só que 3% não era uma parcela considerada relevante pelas fundações que justificasse a análise desse tipo de aplicação, explica o sócio da da Gávea Investimentos, Marcelo Stallone. Com 10%, já começa a fazer sentido, destaca.

Stallone acredita que a maior movimentação dos gestores tende a ser para aproveitar essa oportunidade. “Quem tiver condição de oferecer gestão no exterior vai lançar fundo para atrair esse novo público“, diz. Ele lembra que esse mercado não deslanchou porque a iniciativa da CVM de internacionalização dos fundos ocorreu justamente no ano da crise global, quando falar de aplicação no exterior assustava.

Para os gestores internacionais, a flexibilização das regras de investimento no exterior tornou o mercado brasileiro muito mais interessante, ressalta Mello, da SulAmérica. Ele acredita que a medida deve atrair mais instituições ao país, a exemplo do que ocorreu no Chile e no México.

Os fundos multimercados também foram beneficiados pela novas regras para as entidades fechadas de previdência, segundo os especialistas. Assim como no caso das aplicações no exterior, o limite para essas carteiras subiu de 3% para 10%. As fundações também não perdiam tempo analisando a aplicação em fundos hedge e isso deve mudar daqui para frente, afirma Mello. Os gestores, porém, estão preparados. “Há uma ampla gama de multimercados.”

O executivo pondera, no entanto, que os novos limites não vão ser tomados de uma hora para outra, não no curto prazo. Mas, segundo ele, é importante ter um arcabouço legal que dê mais flexibilidade para as fundações baterem suas metas atuariais.

No passado, com os juros altos, os fundos de pensão já começavam o ano ganhando o jogo, não havia incentivos para buscar opções, lembra o sócio da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa. Hoje, afirma ele, mesmo que a taxa de juros volte para casa dos 10% em 2010, conforme já se projeta, a situação para bater a meta é apertada para as entidades, de 6% além da inflação.

Póvoa acredita que os fundos de pensão vão buscar primeiro ampliar a parcela em ações e multimercados. A aplicação no exterior será o último passo, segundo ele, por conta da falta de experiência das fundações. Para o sócio da Modal, o investimento lá fora deveria ser encarado como uma alternativa de diversificação, e não apenas do ponto de vista de retorno como enxergam as fundações. “Mas o processo de mudança será gradual“, prevê.

A flexibilização abre caminho para os fundos de pensão investirem no exterior, aumentar a parcela de ações, mas não será isso que vai acontecer necessariamente, diz José de Souza Mendonça, presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência (Abrapp). “Sem a Previ, a média da participação das ações na carteira dos fundos é de 18,5%, portanto, já haveria espaço para aumentar“, diz.

No caso dos investimentos no exterior ocorre o mesmo, diz Mendonça, lembrando que a média de aplicações dos fundos está em 1%, um terço do limite anterior de 3%. “Mas claro que, com um limite maior, de 10%, já vale mais a pena para o gestor do fundo estudar a aplicação lá fora, até porque ninguém vai sair aplicando sem saber direito como essas aplicações funcionam“, diz. O mesmo raciocínio vale para as ações. Para Mendonça, a grande mudança foi a autorização para operações estruturadas, que englobam os fundos de direitos creditórios (FIDC) e que acabavam entrando no limite de renda fixa. “E os fundos imobiliários reduziam a parte relativa aos imóveis.”

Mendonça admite que os fundos de pensão vão correr mais risco. “Mas viver é correr risco, o que se pode fazer?” questiona. Outro ponto é a necessidade de diversificação. “Há três anos, para cada título público eu tinha um de empresa privada“, lembra Mendonça. “Hoje já é um público por um privado e não sei onde vou parar, por isso essa flexibilidade maior vai me permitir um melhor planejamento“, diz.

A decisão de aumentar a parcela de ações vai também depender do perfil de cada fundo. “Carteiras novas, que vão demorar a pagar benefícios, podem correr mais risco, outras mais antigas não“, diz. O tamanho dos fundos influenciará. “Mas a diversificação será maior“, diz ele, lembrando que, nos últimos 15 anos, o retorno da bolsa acima da inflação foi de 9%, enquanto o da renda fixa foi de 12%. “Com juro acima de 12%, não fazia sentido ir para a renda variável, mas agora isso mudou”, diz.

Estudo do banco inglês Barclays mostra que hoje a maioria dos fundos de pensão tem menos de 20% de seu patrimônio investido em bolsa, apesar de a média do segmento ser de 30,4% em maio. Isso se deve ao fato de alguns fundos com elevado patrimônio estarem bem acima do limite, caso da Previ, do Banco do Brasil, que tem 70% aplicados em renda variável. Os fundos de pensão chegaram a ter em média 37,7% em ações em maio de 2008, segundo o Barclays. Mas o pico de todos os tempos foi em 1994, quando a participação da renda variável bateu 43% do total de ativos. Entre 1997 e 1999, a participação saiu de 29% para 38,5%.

Bancos de Investimento - Oferta de ações traz de volta euforia

Depressão do primeiro semestre dá lugar a lucros e contratações

Depressão e prejuízos no primeiro semestre. Euforia e lucros no segundo. Os bancos de investimento no Brasil estão atravessando um ano de “transtorno bipolar de humor“, a denominação moderna da antiga psicose maníaco-depressiva, como definiu presidente de instituição estrangeira.

Depois do enxugamento de pessoal no início de 2009 por causa da crise financeira e das fusões decorrentes, a maioria está voltando a contratar. A retomada forte no mercado de ações fez crescer abruptamente a demanda por um dos serviços mais lucrativos desses bancos: a assessoria na montagem de operações de venda de ações para empresas clientes e a distribuição dessas transações. Com tamanha recuperação, já há quem veja uma nova bolha se formar. Hoje, há uma fila de mais de 15 empresas para realizar emissões de ações em valores que vão ultrapassar os R$ 25 bilhões.

Somente a oferta pública inicial de ações do Santander Brasil, que pode chegar a R$ 15,6 bilhões e ser a maior do mundo neste ano, pode significar receita de R$ 400 milhões para os quatro bancos líderes: Bank of America-Merrill Lynch, Credit Suisse, BTG Pactual e Santander.

Essa receita com serviços virá se somar ao total de R$ 315 milhões obtidos pelas instituições financeiras na transação de venda inicial de ações da Visanet, no final de junho, de R$ 8,4 bilhões, onde os ganhadores foram os sócios Bradesco BBI, o banco líder da transação, com receita de mais de R$ 100 milhões, o Banco do Brasil, com R$ 71,5 milhões, e o Santander, com R$ 53 milhões. O JP Morgan obteve receita de R$ 78 milhões, o Goldman Sachs, de R$ 6 milhões, e o UBS Pactual (hoje BTG Pactual), de R$ 4,8 milhões.

O forte fluxo de investimento externo ao Brasil, as perspectivas de crescimento econômico e de queda nos juros básicos, o novo grau de investimento dado ao país pela Moody’s na semana passada e a retomada dos mercados de eurobônus faz com que os bancos se preparem para crescer mais. Uma retomada maior no mercado de fusões e aquisições fará engordar de novo a receita com prestação de serviços das instituições financeiras, que teve quedas brutais no início do ano.

Dois bancos de investimento que estão entre os líderes no país - o Credit Suisse e o Pactual - viram suas receitas receitas caírem pela metade no primeiro semestre do ano na comparação com igual período de 2008. No suíço Credit Suisse, elas passaram de R$ 209 milhões para R$ 93,7 milhões. Com a volatilidade em alta, o banco conseguiu, no entanto, mais sucesso com transações de tesouraria. Obteve R$ 400,5 milhões com instrumentos financeiros derivativos próprios, 32% a mais do que em 2008.

Já o UBS Pactual, que acaba de passar das mãos dos suíços para as do brasileiro André Esteves e seus sócios, teve redução nas receitas com prestação de serviços de R$ 444,21 milhões no primeiro semestre de 2008 para R$ 219,97 milhões no período neste ano. Isso ajudou a derrubar seu lucro líquido de R$ 567,9 milhões no primeiro semestre de 2008 para R$ 113,14 milhões.

Além da melhoria nas receitas com serviços, as provisões para perdas com créditos de liquidação duvidosa feitas por bancos por conta de atrasos nos pagamentos de clientes em transações de derivativos de câmbio alavancados do final do ano passado poderão agora ser revertidas, após bem-sucedidas negociações. O Bank of America Merrill Lynch, por exemplo, fez provisão de R$ 106,311 milhões. As provisões aumentam as despesas dos bancos e seus prejuízos, e, quando revertidas, geram lucro. Hedge de capital feito por instituições como o Deutsche Bank, que trouxeram perdas no primeiro semestre, poderão agora trazer ganhos.

Segundo levantamento feito pelo Valor com os balanços do primeiro semestre das instituições financeiras que mais se encaixam na definição de banco de investimento “puro sangue”, a maioria teve prejuízo ou lucro decrescente. As perspectivas apresentadas para o final do ano são, sem exceção, de recuperação e reversão desses prejuízos.

Fonte: Valor Econômico

Relatório do BC alerta para aumento da inflação em 2010

O déficit em conta corrente deste ano deve chegar a US$ 18 bilhões, US$ 3 bilhões a mais do que estimava o Banco Central no Relatório de Inflação de junho. Para 2010, foi mantida a estimativa de déficit de US$ 29 bilhões. O aumento do déficit este ano decorre da reavaliação que o BC fez em todo o balanço de pagamentos: o superávit da balança comercial, segundo as novas projeções, subiu para US$ 27 bilhões, US$ 7 bilhões acima da previsão anterior, e o déficit na conta de serviços e rendas foi para US$ 48 bilhões, US$ 10 bilhões acima da projeção anterior.

O BC dá duas explicações para a acentuada elevação no déficit de serviços e rendas: os gastos com viagens internacionais subiram de US$ 3 bilhões para US$ 4,5 bilhões, principalmente por causa da valorização do real, e as despesas líquidas com aluguel de equipamentos no exterior foram para US$ 9 bilhões, considerados os contratos.

Segundo os dados das contas externas do relatório de inflação de setembro, divulgado na sexta-feira, as remessas líquidas de lucros e dividendos também devem crescer bastante em 2009, de US$ 17 bilhões para US$ 22,3 bilhões, por causa da valorização cambial.

O BC estima queda importante, de US$ 8 bilhões, no saldo comercial em 2010, que ficaria em US$ 19 bilhões. As exportações cresceriam 9,9%, mas as importações aumentariam 18,4% no próximo ano, com um crescimento de quase o dobro do que as exportações.

O superávit da conta financeira do balanço de pagamentos, antes estimado em US$ 28 bilhões, foi, agora, reavaliado para US$ 44,1 bilhões, como decorrência da forte recuperação da Bovespa. A projeção de ingressos líquidos de investimentos em carteira saltou de US$ 3 bilhões para US$ 22 bilhões.

O Banco Central antevê, no lado interno da economia, uma significativa deterioração da inflação em 2010, ao incorporar o “impulso fiscal” dado pelo governo este ano, em parte para fazer frente à crise financeira global. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - conforme as novas projeções feitas com um modelo ajustado para captar o efeito do aumento do gasto público - é de 4,4% para o próximo ano, maior que os 3,9% previstos no relatório de junho, praticamente sem nenhuma folga em relação à meta de 4,5% para o período.

Para 2009, é menor o impacto tanto do alívio monetário (com a queda de 5 pontos percentuais da taxa Selic) quanto fiscal, dado pela redução da meta de superávit primário de todo setor para até 1,56% do PIB (e não mais 2,5%). Para este ano a projeção de inflação subiu de 4,1% para 4,2%.

A trajetória concebida no relatório é de que o IPCA encerre este ano em 4,2%, caia para 3,6% no segundo trimestre de 2010, e a partir daí assuma uma curva crescente encerrando o ano em 4,4%. Em 2011, a inflação iria para 4,6% nos dois primeiros trimestres, recuando para 4,5% no terceiro trimestre, onde estacionaria.

Está feito, assim, o alerta para um possível aumento a taxa de juros básica em 2010 - ano das eleições presidenciais - muito provavelmente antes que o IPCA aumente. “Cabe registrar que a elevação da projeção de inflação no segundo semestre de 2010 e no primeiro de 2011 em parte se deve aos impulsos fiscais esperados para o segundo semestre de 2009 e o primeiro de 2010, que vêm contribuindo para acelerar a retomada da atividade“, indica o relatório.

A inflação cairia no terceiro trimestre de 2011 se for eliminada parte dos “estímulos fiscais” .

Fonte: Valor Econômico

A consolidação da China como o centro do mundo - Parte 4

China deve importar 90% do minério de ferro do mundo�

Os altos investimentos em infraestrutura na China indicam boas perspectivas para o mercado de commodities minerais. A previsão é do analista da Goldman Sachs, Paul Gray. “A China é exceção no cenário econômico e apresenta expectativa de crescimento anual de 8%. Estimamos que o país vai importar até 90% do minério de ferro do mundo nos próximos anos“, afirmou.

O consultor e ex-Primeiro Ministro da Austrália Ocidental, Hon Richard Court, da GRD Minproc, lembrou que a Austrália fornece hoje 40% do minério importado pela China. Segundo Court, os exportadores, inclusive o Brasil, devem ficar atentos para manter os preços competitivos. “Só assim será possível evitar perda para mercados como a África, que tem atraído crescentes investimentos por parte da China“, alertou. Os especialistas participaram do painel Novos Desafios para a Mineração, no segundo dia do 13º Congresso Brasileiro de Mineração.

A competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional foi o principal assunto do Talk Show “A mineração e o novo cenário socioeconômico“. O debate reuniu o Chairman da BHP Billiton Brasil, Eleazar de Carvalho Filho, pelo Diretor-Superintendente da Votorantim Metais, João Bosco Silva e pelo Presidente da IMS Engenharia Mineral, Juvenil Félix. “Os empresários não influenciam o câmbio, nem determinam o preço do minério. A única forma de se ampliar a competitividade é reduzir os custos de produção“, observou Bosco. Segundo Félix, os investimentos em infraestrutura, a ampliação do crédito e a redução da carga tributária são fundamentais para o País.

Fonte: Invertia

IPO Santander - A oferta do ano

Colocação do Santander pode atingir R$ 15,6 bilhões e se tornar a maior do mundo em 2009.

Cerca de 250 investidores reunidos no hotel Hyatt, na zona sul de São Paulo, para a largada do “road show” da oferta de ações do Santander Brasil tiveram uma surpresa. Foram recebidos por ninguém menos que o banqueiro Emílio Botín, o presidente mundial do Santander.

A presença do banqueiro em terras brasileiras foi planejada para demonstrar a importância estratégica dada pelo grupo à filial brasileira, que ganhará ainda mais peso após a realização da abertura de capital. Botín afirmou que as projeções mostram que o Santander Brasil vai superar a matriz espanhola em tamanho dentro do grupo, segundo o relato de interlocutores. Procurada, a assessoria de imprensa do banco informou que a presença de Botín não tem ligação com a oferta. Segundo a versão oficial, ele veio para participar das comemorações dos 75 anos da Universidade de São Paulo.

A colocação do Santander Brasil poderá ser a maior oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do mundo neste ano, superando a da China State Construction Engineering Corp., que atraiu US$ 7,3 bilhões na abertura de capital, em julho. Embora já existam papéis do grupo na bolsa brasileira, remanescentes do Banespa, esses possuem pouquíssima liquidez e muitos consideram a atual operação como uma oferta inicial.

No Brasil, o Santander caminha para bater o recorde histórico, que pertence à VisaNet, com US$ 4,3 bilhões captados na abertura de capital em junho. O Santander também brigará de perto com os concorrentes na bolsa, podendo superar, em valor de mercado, gigantes como Banco do Brasil e Bradesco.

A oferta do banco espanhol deve movimentar de R$ 11,5 bilhões a R$ 13,1 bilhões, segundo aviso ao mercado publicado ontem. A distribuição primária envolve 525 milhões de certificados de ações (units), representativos de 55 ações ordinárias (ON, com voto) e 50 preferenciais (PN, sem voto). O valor estimado para a captação leva em conta o preço sugerido, entre R$ 22 e R$ 25 por unit.

Se forem colocados os lotes suplementar de 75 milhões de units e adicional de 25 milhões de units, a operação pode atingir R$ 15,6 bilhões, ou US$ 8,6 bilhões.

O tamanho da oferta dá uma ideia da agressividade com que o Santander chega à bolsa. Com valor de mercado que pode variar entre R$ 82,8 bilhões e R$ 96,6 bilhões, considerando a faixa de preço estimada e o número de papéis a ser vendido na oferta, o banco espanhol ficaria à frente do BB, com capitalização de R$ 76,5 bilhões, segundo cotação de sexta-feira. Em relação ao Bradesco, cujo valor de mercado era de R$ 95,9 bilhões, o Santander pode superá-lo se a oferta sair pelo teto. O maior banco em capitalização é o Itaú Unibanco, com R$ 141,1 bilhões.

Apesar do tamanho da captação, deverá haver demanda para todos os papéis mantido o atual cenário. “Há grande apetite por ações brasileiras, o setor bancário no mundo está melhorando e o Santander, em especial, tem grande potencial de crescimento após a compra do Real”, afirma Alexandre Chaia, professor de derivativos e risco do Insper (ex-Ibmec SP).

O preço do banco também é um atrativo, segundo o economista João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho. A ação do banco na Bovespa fechou a R$ 0,26 na sexta. Considerando o preço médio indicado para a oferta, de R$ 23,50 por unit, cada papel será vendido em média a R$ 0,22, mais barato, portanto, do que no mercado. “Esse desconto serve para atrair os investidores”, destaca Salles, lembrando que a baixa liquidez das ações, porém, dificulta as análises de preço.

O múltiplo preço sobre valor patrimonial do Santander também é interessante, de acordo com os cálculos do economista. A cotação de bolsa leva a uma relação de 1,8 vez para o banco, abaixo dos concorrentes. Esse indicador é de 2,3 vezes no caso do Banco do Brasil, de 2,8 vezes no Bradesco e de 3,3 vezes no Itaú Unibanco.

Já o múltiplo preço sobre lucro líquido mostra um resultado contrário. O P/L do Santander é alto, de 17 vezes . O BB tem indicador de 9,5 vezes, o Bradesco de 12,9 vezes e o Itaú Unibanco de 15,3 vezes. Ou seja, os outros bancos são mais baratos por esse ponto de vista.

O tamanho da oferta do Santander surpreendeu o gestor de fundos de renda variável da Modal Asset, Eduardo Roche. Na visão dele, a operação deve inclusive atrair novos investidores, especialmente europeus que ainda não têm exposição em Brasil, mas que conhecem o banco lá fora.

Além do porte grande da transação, fator importante para atrair investidores externos, o Brasil é a bola da vez, destaca o sócio da Value Consultoria, Rodrigo Pasin. Segundo ele, o país atrai pelo crescimento econômico, pela estabilidade política e pelo elevado padrão de governança das empresas. Na China, principal concorrente, a expansão do PIB é ainda mais relevante, mas o país está muito aquém em governança e estrutura do mercado de capitais, compara.

Pasin lembra ainda que o setor financeiro é um dos mais pujantes do país. Na avaliação de Roche, da Modal, além do crescimento econômico, que abre espaço para a expansão do crédito, os bancos poderão explorar a bancarização para crescer. Destaque ainda para o fato de as instituições nacionais e também o espanhol Santander terem ficado de fora do “subprime”, que desencadeou a crise mundial.

O Santander é o quarto maior banco em ativos no país, com R$ 266,9 bilhões. O lucro líquido no primeiro semestre foi de R$ 1,6 bilhão, e a carteira de crédito está em R$ 137,3 bilhões. Salles, da Lopes Filho, destaca, porém, que a inadimplência está acima dos concorrentes e a eficiência, abaixo. “Parte desse problema deve melhorar com a captura das sinergias com o Real“, diz.

O preço da oferta será definido em 6 de outubro. As ações estreiam no Nível 2 da bolsa no dia 8. Uma fatia de 20% será destinada a investidores de varejo, sendo que, prioritariamente, 5% vão para funcionários e outros 10% para clientes.

Fonte: Valor Econômico

Eike Batista faz planos de dobrar valor da Vale (BOV:VALE5)

Empresário continua disposto a lutar para ser sócio controlador da maior empresa privada do país.

O plano de expandir o grupo EBX nos próximos quatro anos não é suficiente para satisfazer a ambição de Eike Batista. O bilionário está disposto a lutar para ser sócio no bloco de controle da Vale, a segunda maior mineradora do mundo. Nos anos 60 e 70, estatal, a Vale foi comandada por Eliezer Batista, pai de Eike. Três décadas depois, o filho sonha assumir a direção da gigante da mineração, com valor de mercado perto de R$ 200 bilhões.

Homem de mercado, investidor agressivo, Batista antevê potencial na companhia para dobrar seu valor de mercado em cinco anos, como confidenciou a amigos próximos. Ele tem muitas ideias para a Vale. Uma delas é uma oferta de compra pela ferrovia ALL. A aquisição dotaria a empresa de rede ferroviária nacional integrada no país. Outro sonho é de fortalecer o braço de petróleo da Vale com a OGX, empresa de petróleo e gás da EBX. Nesse clima de empolgação Eike Batista parte para segunda investida para chegar ao topo da empresa.

Depois de ter levado uma recusa do Bradesco à sua proposta de compra da Bradespar, o empresário iniciou conversas com a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil e maior acionista da holding Valepar, que controla a mineradora. Ele está disposto a adquirir 25% da fatia do fundo de pensão, apurou o Valor. Esse percentual dá direito de veto ao sócio no bloco de controle. Apenas a Previ tem direito de veto na Valepar porque os demais têm fatia inferior a 25% (a Bradespar com 21,1% do capital votante, a trading japonesa Mitsui, 18,5%, a BNDESPar com 12,5% e o Eletron - Opportunity -, com 0,029%).

Nesse clube fechado, a Previ participa por meio do veículo Litel com mais três fundos: Funcef, Petros e Funcesp. A Litel é controlada pela Previ com 81,15%, enquanto os outros três fundos detém juntos 18,85%. A Litel tem 48,79% no capital votante da Valepar e mais 4,68% num outro pequeno veículo Litel A, o que soma uma fatia de 53,47% da Litel na Valepar. Mas a Litel só pode votar na Valepar com 48,79%. O acordo diz que os acionistas não podem deter mais de 49% da Valepar.

Por isso, as ações que excedem esse percentual em poder da Previ se encontram na Litel A, um veículo criado para abrigá-las como preferenciais. Mas se elas forem vendidas, voltam a ser ordinárias, conforme reza acordo feito com a Previ.

Os três fundos de pensão que detêm participações na Litel (a maior participação é da Funcef, com 11,65%) não têm autonomia para vender sua fatia na Valepar sem o “sinal verde” da Previ. Mesmo que eles estejam dispostos a fazê-lo, informaram interlocutores ligados aos controladores da Vale, qualquer mudança nessa regra só com um novo acordo de acionista da Valepar, o que poderá ocorrer em 2017.

Isoladamente, a Previ participa indiretamente com 23,51% do capital votante e 14,71% do capital total da Vale.

É nesse emaranhado acionário que Batista pretende garimpar sua participação no controle da Vale. Ele já esteve na sede da fundação, numa primeira rodada de entendimentos. Depois de oferecer R$ 9 bilhões ao Bradesco pelas ações da Bradespar e ter sua proposta recusada, Batista pretende oferecer à Previ um prêmio de controle de 15% para fechar o negócio. A Previ é uma fundação “desenquadrada” nos seus investimentos em renda variável. Segundo as regras da Secretaria de Previdência Complementar (SPC) todo fundo de pensão deve investir até um limite máximo de 50% de seus negócios em renda variável e a Previ tem 60%. Mas a SPC deu um prazo até 2014. A questão do desenquadramento da Previ é chave nas conversas com a equipe de Batista.

Para entrar na Vale, Eike Batista, mesmo contando com apoios dentro do governo, que os interlocutores preferem não nomear, vai ter que enfrentar desafios, como a alergia do governo aos estrangeiros. Ele está vendendo parte da MMX, sua mineradora, para os chineses. É preciso saber se esse tipo de parceria seria bem vinda na Vale. Ciente dos obstáculos, Eike Batista contratou quatro bancos para assessorá-lo na negociação com a Previ: Santander, Itaú, Credit Suisse e o BTG , de André Esteves.

Hoje, em Nova York, Batista será anfitrião de um jantar em homenagem ao presidente Luiz Inácio da Silva, juntamente com o presidente mundial da ExxonMobil. Certamente, nesse encontro, terá um tempo para falar à Lula de suas pretensões na Vale.

Fonte: Valor Econômico

Captações externas crescem 40% e retornam aos níveis pré-crise

Total de bônus e empréstimos sindicalizados vai a US$ 3,215 bilhões

Com a emissão de US$ 1 bilhão em eurobônus da Votorantim (BOV:VCPA3), o total de captações externas de empresas e bancos brasileiros no mês vai a US$ 3,215 bilhões, segundo o Valor Data. Já é o maior valor mensal captado por corporações e governo do país em transações de mercado desde junho do ano passado, antes de a quebra da Lehman Brothers, em 15 de setembro, paralisar completamente o mercado de crédito internacional. A retomada forte se deu principalmente no mercado de eurobônus, mas há sinais de que os empréstimos sindicalizados na forma de pré-pagamentos à exportação também voltaram com tudo.

Estamos no início da recuperação da economia e o mercado internacional está otimista, o que criou uma boa oportunidade para o alongamento de nossa dívida“, disse Raul Calfat, diretor-geral da Votorantim Industrial. A empresa lançou inicialmente US$ 750 milhões em papéis, mas a demanda dos investidores chegou a US$ 6 bilhões. Optou por levantar US$ 1 bilhão com rendimento de 6,75% ao ano pelo prazo de dez anos.

Todos dizem que os preços dos títulos de dívida já estão altos demais, mas eles continuam subindo e os investidores continuam comprando com medo de não aproveitar dessa alta“, diz Alexander “Sandy” Severino, diretor-gerente para os mercados de dívida da América Latina do Citigroup, que, junto com o HSBC, liderou a emissão da Votorantim. “Ninguém quer apostar contra o mercado“, afirma.

Há outras importantes transações em andamento. Segundo o mercado, o Citigroup e o JPMorgan são os líderes da captação por meio de bônus perpétuo de dívida subordinada nível 1 (que entra como capital no balanço) que o Banco do Brasil (BOV:BBAS3) vai emitir, em valores superiores a US$ 500 milhões. O executivo, no entanto, não quis fazer comentários sobre o tema.

Já os papéis que o Bradesco (BOV:BBDC4) vai lançar, que terão prazo de vencimento em dez anos e serão de dívida subordinada, mas de nível 2, poderão ter rendimento em torno de 7% ao ano. Os valores estimados são também de mais de US$ 500 milhões e os líderes são o HSBC e o Bradesco Banco de Investimento (BBI). “A expectativa de uma nova elevação da nota de crédito do Brasil está criando uma excelente janela de oportunidade para captações externas do país“, diz Alexei Remizov, responsável pela área de mercado de capitais do HSBC. Ele não quis falar sobre a transação do Bradesco, mas lembrou que a demanda pelos papéis de empresas brasileiras tem surpreendido.

Segundo ele, a Vale do Rio Doce (BOV:VALE5), que também captou neste mês em transação liderada pelo HSBC, Goldman Sachs e Santander, teve demanda de US$ 8 bilhões por seus papéis de vencimento em dez anos, que saíram no total de US$ 1 bilhão com rendimento de 5,727% ao ano, um recorde de baixa para o setor corporativo no Brasil. “O Brasil superou muito bem a crise e está com uma política econômica estável, o que dá segurança ao investidor externo“, afirma.

Emitiram bônus neste mês no exterior a Companhia Siderúrgica Nacional (BOV:CSNA3), de US$ 750 milhões com rendimento de 6,875% ao ano pelo prazo de vencimento em dez anos, sob a liderança do Itaú e do Morgan Stanley, e o Banco Cruzeiro do Sul, que lançou papéis de US$ 175 milhões pelo prazo de vencimento em três anos pagando rendimento de 8,5% ao ano sob a liderança da BCP Securities.

No mercado de pré-pagamento à exportação, a Multigrain captou US$ 100 milhões em um “club deal” pelo prazo de vencimento em dois anos pagando rendimento de 4,5% ao ano sobre a Libor, taxa interbancária de Londres, segundo bancos, e a Louis Dreyfus Commodities levantou outros US$ 80 milhões sob a liderança do Standard Chartered. Também estão com empréstimos externos à venda a Cosan, que quer levantar US$ 200 milhões, e a MMX, que pretende captar US$ 100 milhões por 4 anos sob a liderança do Safra.

Mas, segundo o mercado, a grande expectativa é com relação ao empréstimo externo da Samarco, de US$ 300 milhões, de vencimento em cinco anos. Os bancos enviaram suas propostas para a empresa, que agora está na fase da definição dos líderes. Esse pré-pagamento deve definir um novo benchmark para o mercado em transações que virão.

O último pré-pagamento de maior porte foi realizado pela Votorantim, que levantou US$ 350 milhões pelo prazo de três anos e pagou 3,5% ao ano sobre a Libor mais uma comissão de 1,25% pela estruturação e consultoria. A empresa não quis falar sobre taxas.

Segundo João Miranda, diretor financeiro da Votorantim, com o bônus mais o empréstimo, o grupo já alongou sua dívida que vence neste ano. Para 2010, já rolou R$ 1 bilhão em dívida e planeja pagar R$ 2 bilhões com seu caixa, que hoje está na casa de R$ 10 bilhões.

Fonte: Valor Econômico

Preços elevados nas Bolsas e nas Commodities - Cenário para novas minibolhas

Ajuda dos BC mundiais não resultou em mais crédito e sim na expansão do mercado de capitais

A recuperação dos mercados está mais relacionada à especulação financeira do que à recuperação econômica mundial, pois o cenário ainda é nebuloso. O alerta dado pelo diretor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-secretário da Fazenda de São Paulo, Yoshiaki Nakano, durante o XVIII Congresso Brasileiro de Economia nesta quinta-feira, é de que os investidores estão em “clima de que o pior já passou“.

No entanto, para que esta percepção seja verdadeira, é necessário que haja uma mudança na regulamentação do sistema financeiro internacional. Ao mesmo tempo, os estímulos dados pelos governos para a retomada da economia serão retirados no futuro, o que gera dúvidas sobre como se comportarão as economias mundiais, principalmente os EUA.

A injeção de capital por parte dos Bancos Centrais mundiais não resultou no aumento do volume de crédito, mas sim na expansão do mercado de capitais, acessado somente pelas grandes companhias. “A reversão da política monetária é um problema. Se o Banco Central injeta recursos nos bancos a taxa zero é claro que vai haver o aumento da liquidez. Estas operações provocaram a forte recuperação das bolsas e commodities. Estamos recuperando em plena recessão devido à especulação financeira“, explicou.

Nakano observou, ainda, que além de serem retirados os estímulos monetários, devido à ameaça inflacionária, o governo norte-americano deve também rever o lado fiscal. O déficit público dos Estados Unidos encontra-se atualmente em 13% do PIB. “Este aumento do endividamento do governo deverá provocar o aumento dos juros e influenciar a cotação do dólar. Já a injeção de liquidez será retirada devido à ameaça inflacionária“, explicou.

Diante deste cenário, Nakano acredita que a recuperação econômica ocorrerá em forma de W e não de U, como alguns economistas têm alardeado. No W, a recuperação ocorre e depois há novamente a depressão. Esta expectativa está relacionada à dificuldade dos governos em renovarem os pacotes fiscais e continuarem com as ações de estímulos monetários com injeção de capital. “A crise representou o fim de um longo período de crescimento. Sem uma nova regulamentação para o setor financeiro ou o desenvolvimento de uma nova tecnologia, não vamos voltar a registrar taxas de crescimento como a anterior“, afirma.

Decretando falência

A recuperação em W também está relacionada à mudança da mudança do comportamento do norte-americano, que ampliou a taxa de poupança, e às fragilidades que ainda marcam o sistema financeiro mundial. “As fragilidades financeiras não foram removidas do sistema. Os ativos tóxicos não foram retirados“, explicou. Diante deste quadro, o economista acredita que ainda haverá uma série de bancos norte-americanos de pequeno e médio porte decretando falência. “Uma centenas de bancos pequenos e médios vão quebrar. A crise não está resolvida“, alertou.

Quanto à China, Nakano destacou que o país precisa crescer com base na demanda interna e não apenas exportações, diante do declínio do consumo dos EUA. “É fundamental que a China registre uma expansão da demanda interna. Isso vai gerar o declínio da poupança interna e fazer o ajuste“, ressaltou o especialista.

Bolhas

De acordo com Nakano estão surgindo novas mini bolhas no cenário, como as moedas commodities, o preço das commodities e o atual patamar das ações. “A Bolsa está se recuperando e há a apreciação da taxa de câmbio. O real está no portfólio do especulador, entre as moedas commotidies e ainda há a mini bolha das commodities. É difícil prever o que vai acontecer“, afirmou ao estimar que o PIB brasileiro deve ficar estável este ano e crescer entre 4% e 5% em 2010. Já o cenário de longo prazo foi classificado como uma incógnita.

Ibovespa

No ano, o Ibovespa acumula valorização de 60,42% e atingiu, ao final do pregão desta quinta-feira, os 60.236 pontos. Ao final de 2008, o índice encontrava-se em 37.550 pontos. O economista se isentou em classificar o patamar atual do Ibovespa como elevado demais, mas afirmou que a recuperação dos preços foi forte demais e deixa sinais de que pode se configurar como uma nova bolha. Mesmo assim, a visão é de que, esta bolha não vai “necessariamente estourar“. “Os investidores estão antecipando um futuro muito longínquo. Se houver a necessidade de mais liquidez nos países centrais vai ocorrer queda“, disse.

Para Nakano, a recuperação dos preços dos ativos não é lógica, tendo em vista que a demanda mundial vai demorar a retomar o crescimento. “É uma antecipação. Não há precedente para a recuperação dos preços do petróleo e bolsa como o de agora“, disse. O economista lembrar que nas crises anteriores os ativos não se recuperaram com a mesma rapidez.

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco defendeu que não há uma euforia no mercado financeiro. “Não existe risco de uma bolha. O mercado financeiro negocia o futuro e vinha de uma base muito baixa devido ao excesso de pessimismo. É isso que está se refletindo no preço das ações“, declarou. Ele destacou que só haverá uma ruptura desta “bolha” se houver uma queda abrupta da entrada de capital. “A perda dos preços das ações assustou os investidores, que estão mais cautelosos quanto à novas aberturas de capital e selecionando melhor as ações“, disse.

Fonte: Monitor Mercantil

Carnes e Derivados - JBS, Pilgrim’s, Bertin, Marfrig, Cargill… (BOV:PRGA3) (BOV:JBSS3) (BOV:MRFG3)

Foi com o título acima que o jornalista norte-americano Chris Wright - editor, entre outras, da revista Indústria Avícola – abriu ontem seu blog na internet. Observando que os acontecimentos recentes mudaram as coisas tão rapidamente a ponto de deixar muita gente tonta (“a minha cabeça, pelo menos, está girando”), Wright observa que é clara a disputa entre JBS e Marfrig pelo mercado da carne bovina. Agora, essa disputa se estende à indústria avícola.

Comentando que as duas empresas estão gastando dinheiro como “marinheiros bêbados”, o editor de Industria Avícola levanta uma indagação que, sem dúvida, não é só dele: de onde estão tirando tanto dinheiro? Mas conclui que, assentada a poeira, “o que não deve demorar muito”, a hierarquia das proteínas animais (carnes bovina, suína e de aves) terá mudado significativamente. E não só no Brasil ou nos EUA, mas mundialmente.

Então, os grandes destaques serão a JBS, maior processadora mundial de carne bovina, agora dona de uma das maiores empresas avícolas do mundo. E a Marfrig, quarta maior processadora de carne bovina do mundo, agora ocupando a segunda posição na avicultura e na suinocultura brasileira, atrás apenas da BRF Foods.

Acompanhe as cotações, os balanços patrimoniais e tudo o que o mercado comenta sobre a companhia de capital aberto Brasil Foods (BOV:PRGA3).

Quer saber mais sobre o mercado mundial de carne suína? Acesse a seção commodity do wiki financeiro da ADVFN BRASIL.

Acompanhe as cotações, os balanços patrimoniais e tudo o que o mercado comenta sobre a companhia de capital aberto JBS Friboi (BOV:JBSS3).

A ADVFN BRASIL disponibiliza cotações oriundas de diversas bolsas de mercadorias mundiais! Clique aqui para acessar cotações referentes ao mercado de futuros de carne suína.

Acompanhe as cotações, os balanços patrimoniais e tudo o que o mercado comenta sobre a companhia de capital aberto Marfrig (BOV:MRFG3).

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