IPO Santander - A oferta do ano
Colocação do Santander pode atingir R$ 15,6 bilhões e se tornar a maior do mundo em 2009.
Cerca de 250 investidores reunidos no hotel Hyatt, na zona sul de São Paulo, para a largada do “road show” da oferta de ações do Santander Brasil tiveram uma surpresa. Foram recebidos por ninguém menos que o banqueiro Emílio Botín, o presidente mundial do Santander.
A presença do banqueiro em terras brasileiras foi planejada para demonstrar a importância estratégica dada pelo grupo à filial brasileira, que ganhará ainda mais peso após a realização da abertura de capital. Botín afirmou que as projeções mostram que o Santander Brasil vai superar a matriz espanhola em tamanho dentro do grupo, segundo o relato de interlocutores. Procurada, a assessoria de imprensa do banco informou que a presença de Botín não tem ligação com a oferta. Segundo a versão oficial, ele veio para participar das comemorações dos 75 anos da Universidade de São Paulo.
A colocação do Santander Brasil poderá ser a maior oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do mundo neste ano, superando a da China State Construction Engineering Corp., que atraiu US$ 7,3 bilhões na abertura de capital, em julho. Embora já existam papéis do grupo na bolsa brasileira, remanescentes do Banespa, esses possuem pouquíssima liquidez e muitos consideram a atual operação como uma oferta inicial.
No Brasil, o Santander caminha para bater o recorde histórico, que pertence à VisaNet, com US$ 4,3 bilhões captados na abertura de capital em junho. O Santander também brigará de perto com os concorrentes na bolsa, podendo superar, em valor de mercado, gigantes como Banco do Brasil e Bradesco.
A oferta do banco espanhol deve movimentar de R$ 11,5 bilhões a R$ 13,1 bilhões, segundo aviso ao mercado publicado ontem. A distribuição primária envolve 525 milhões de certificados de ações (units), representativos de 55 ações ordinárias (ON, com voto) e 50 preferenciais (PN, sem voto). O valor estimado para a captação leva em conta o preço sugerido, entre R$ 22 e R$ 25 por unit.
Se forem colocados os lotes suplementar de 75 milhões de units e adicional de 25 milhões de units, a operação pode atingir R$ 15,6 bilhões, ou US$ 8,6 bilhões.
O tamanho da oferta dá uma ideia da agressividade com que o Santander chega à bolsa. Com valor de mercado que pode variar entre R$ 82,8 bilhões e R$ 96,6 bilhões, considerando a faixa de preço estimada e o número de papéis a ser vendido na oferta, o banco espanhol ficaria à frente do BB, com capitalização de R$ 76,5 bilhões, segundo cotação de sexta-feira. Em relação ao Bradesco, cujo valor de mercado era de R$ 95,9 bilhões, o Santander pode superá-lo se a oferta sair pelo teto. O maior banco em capitalização é o Itaú Unibanco, com R$ 141,1 bilhões.
Apesar do tamanho da captação, deverá haver demanda para todos os papéis mantido o atual cenário. “Há grande apetite por ações brasileiras, o setor bancário no mundo está melhorando e o Santander, em especial, tem grande potencial de crescimento após a compra do Real”, afirma Alexandre Chaia, professor de derivativos e risco do Insper (ex-Ibmec SP).
O preço do banco também é um atrativo, segundo o economista João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho. A ação do banco na Bovespa fechou a R$ 0,26 na sexta. Considerando o preço médio indicado para a oferta, de R$ 23,50 por unit, cada papel será vendido em média a R$ 0,22, mais barato, portanto, do que no mercado. “Esse desconto serve para atrair os investidores”, destaca Salles, lembrando que a baixa liquidez das ações, porém, dificulta as análises de preço.
O múltiplo preço sobre valor patrimonial do Santander também é interessante, de acordo com os cálculos do economista. A cotação de bolsa leva a uma relação de 1,8 vez para o banco, abaixo dos concorrentes. Esse indicador é de 2,3 vezes no caso do Banco do Brasil, de 2,8 vezes no Bradesco e de 3,3 vezes no Itaú Unibanco.
Já o múltiplo preço sobre lucro líquido mostra um resultado contrário. O P/L do Santander é alto, de 17 vezes . O BB tem indicador de 9,5 vezes, o Bradesco de 12,9 vezes e o Itaú Unibanco de 15,3 vezes. Ou seja, os outros bancos são mais baratos por esse ponto de vista.
O tamanho da oferta do Santander surpreendeu o gestor de fundos de renda variável da Modal Asset, Eduardo Roche. Na visão dele, a operação deve inclusive atrair novos investidores, especialmente europeus que ainda não têm exposição em Brasil, mas que conhecem o banco lá fora.
Além do porte grande da transação, fator importante para atrair investidores externos, o Brasil é a bola da vez, destaca o sócio da Value Consultoria, Rodrigo Pasin. Segundo ele, o país atrai pelo crescimento econômico, pela estabilidade política e pelo elevado padrão de governança das empresas. Na China, principal concorrente, a expansão do PIB é ainda mais relevante, mas o país está muito aquém em governança e estrutura do mercado de capitais, compara.
Pasin lembra ainda que o setor financeiro é um dos mais pujantes do país. Na avaliação de Roche, da Modal, além do crescimento econômico, que abre espaço para a expansão do crédito, os bancos poderão explorar a bancarização para crescer. Destaque ainda para o fato de as instituições nacionais e também o espanhol Santander terem ficado de fora do “subprime”, que desencadeou a crise mundial.
O Santander é o quarto maior banco em ativos no país, com R$ 266,9 bilhões. O lucro líquido no primeiro semestre foi de R$ 1,6 bilhão, e a carteira de crédito está em R$ 137,3 bilhões. Salles, da Lopes Filho, destaca, porém, que a inadimplência está acima dos concorrentes e a eficiência, abaixo. “Parte desse problema deve melhorar com a captura das sinergias com o Real“, diz.
O preço da oferta será definido em 6 de outubro. As ações estreiam no Nível 2 da bolsa no dia 8. Uma fatia de 20% será destinada a investidores de varejo, sendo que, prioritariamente, 5% vão para funcionários e outros 10% para clientes.
Fonte: Valor Econômico

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Inside information dizem que já há rateio na quantidade de ações, dado o número de reservas feitas. Considero ótimo investimento. Minhas análises dos balanços do Santander mostram um preço real do lote de ações em R$ 32,00.
Caso o preço fixado seja abaixo de R$28 se preparem para a maior valorização de um IPO no Brasil. Será a maior entrada de capital externo no país num único dia e o dólar deve cair para próximo de 1,70.
Comparado aos outros bancos o preço esta muito baixo e certamente irá atrair o grandes investidores.
Romoney