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As vantagens e as desvantagens de iniciar-se ainda jovem no mercado financeiro

Como tudo na vida, investir na Bolsa de Valores sempre tem dois lados: o bom e o ruim. Normalmente, o lado ruim sempre aparece em decorrência de excessos e desrespeito aos limites inerentes à atividade. Quando estamos abordando a atuação de jovens neste tipo de atividade, a detecção destes abusos ocorrem com mais frequência.

Abaixo descrevo a íntegra da reportagem da Revista Isto É Dinheiro entitulada de “O lado escuro da Bolsa - Jovens na Bolsa de Valores“. A reportagem exemplifica alguns casos de jovens que apresentam sinais de vício neste tipo de investimento que vem se tornando extremamente popular entre os brasileiros. A reportagem enfatiza a grande quantidade de tempo gasto pelos jovens à frente da tela do computador, em detrimento a atividades escolares e acadêmicas e a atividades físicas.

O que a reportagem esqueceu de considerar é que naturalmente os jovens, atualmente, já dispendem grande parte de seu tempo em frente ao computador e em frente aos seus games preferidos. O problema está nas facilidades trazidas pela tecnologia. Se uma parcela destes jovens resolvem preocupar-se com o seu futuro financeiro antes da hora, trocando os orkuts e os games da vida pelo home broker, o que se pode fazer? Isso é uma consequencia extremamente natural e, dependendo do ponto de vista, pode ser até salutar. Cabe aos pais dos mesmos orintá-los quanto ao excesso das horas passadas em frente ao computador e ao potencial risco à saúde dos mesmos.

Não havendo excessos, a presença do jovem investidor no mercado acionário só traz benefícios para si próprio e para o mercado como um todo, tais como:

* Liquidez para o mercado: além de representarem pouco mais de 5% dos total de investidores do Mercado Bovespa e movimentarem mais de R$1 bi/mês, os jovens focam seus investimentos em day-trades. Esta modalidade de operação gera muitos pontos de entrada e saída para todo o mercado.

* Os jovens aprendem a lidar com seu dinheiro desde cedo. Ganhando ou perdendo, ojovem está sempre aprendendo a cuidar de seu patrimônio.

* A larga experiência acumulada no mercado desde cedo acaba abrindo portas nas instituições do mercado. Mesmo não conseguindo ou não querendo uma ocupação ou um emprego formal em corretoras, bancos de investimentos, distribuidoras, assets… Esta pode sempre ser uma atividade alternativa ou complementar à sua profissão futura. Ao invés de um engenheiro desempregado se ver obrigado a dirigir um táxi para garantir o leite de seu filho, poderia gerenciar o seu patrimônio ou mesmo garantir uma boa remuneração mensal nos tempos de aperto através do mercado financeiro.

Poderia ficar o dia inteiro falando sobre as potenciais vantagens não abordadas pelo periódico, mas não custa nada lembrá-lo novamente sobre os malefícios provocados pelo excesso de qualquer tipo de atividade. Portanto, abaixo do gráfico estatístico da presença do Jovem Investidor no Mercado Financeiro, transcrevo a reportagem na íntegra. Reflitam…

Como na sala e a cada três garfadas volto para o computador para poder acompanhar o pregão“.

Aos 16 anos, Danilo Bertasi era modelo, estudava no colégio Bandeirantes, um dos melhores de São Paulo, e mergulhava nos livros para passar no vestibular de medicina. Hoje, três anos depois, a realidade é outra. Ele tem mais sintomas de paciente do que de um futuro médico.

Com pressão alta, toma remédios para dormir e engordou 20 quilos. Não fotografa mais, desistiu da medicina e estuda administração de empresas. A mudança começou quando, influenciado por um amigo, Bertasi começou a investir na bolsa, especificamente em day trade - comprando e vendendo ações no mesmo dia.

Vi que um amigo estava ganhando e pensei: se ele pode, eu também posso“, conta o jovem. Bertasi entrou na empreitada de maneira intensa e viu as horas passadas na frente do pregão se transformarem em vício. “Já acordei às 3 da manhã para assistir à abertura do pregão de Xangai na Bloomberg”, diz ele, que não dorme mais do que quatro horas por noite.

Consegui entrar num banco, mas, se não estivesse trabalhando, passaria o dia inteiro operando na bolsa

Embora sua primeira operação tenha sido desastrosa, com um prejuízo de R$ 3 mil, Bertasi já acumulou algum patrimônio - que mantém em segredo - desde que se tornou investidor. Suas ações preferidas são as mais voláteis, como as das empresas LLX, MMX, OGX e MPX, do bilionário Eike Batista.

Posso perder 10% em um dia e ganhar 20% no dia seguinte“, conta. O problema, no entanto, não é quanto ele ganha ou perde com suas operações. Bertasi pode estar se tornando, sem perceber, um viciado precoce num jogo.

Esse tipo de comportamento é compulsivo. É um desvio que, se não for tratado corretamente, pode acarretar consequências graves“, afirma a psicóloga Vera Rita de Mello, coordenadora do núcleo de psicologia econômica da FipecafiUSP.

Hoje, o Brasil tem 521 mil pessoas que operam o chamado home broker. Destes, 6,6% são jovens de até 25 anos - e a grande maioria, que ainda não trabalha, passa o dia diante da tela do computador, dando ordens de compra e venda ou frequentando salas de bate-papo sobre ações. É quase uma patologia.

Os jovens que entram hoje na bolsa são mais arrojados, correm mais risco, querem volatilidade e dificilmente carregam um papel de um dia para o outro. São fascinados por day trade“, constata Rodrigo Puga, responsável pelo InvestBolsa, home broker da Spinelli Corretora.

Segundo Puga, jovens de até 25 anos fazem, em média, o dobro de operações que investidores mais experientes. Assim, podem estar mais expostos a prejuízos - em Las Vegas, capital mundial dos cassinos, constatou-se que milhares de apostadores com menos de 21 anos também estavam se tornando viciados em apostas.

Perdi com a crise e entrei no day-trade para tentar recuperar o prejuízo. No fim, repeti de ano

Assumidamente viciado na Bovespa, Bertasi traçou uma meta. Disse que quer ter R$ 10 milhões antes dos 25 anos. E hoje ele parece estar mais preocupado com isso do que em fazer coisas típicas da sua idade - como, por exemplo, virar uma madrugada numa boate.

Até mesmo um blog para investidores ele mantém na internet. “Não bebo nem fumo; meu único vício é comprar e vender ações.” E o ganho de peso foi uma decorrência natural. “Costumo comer na sala e a cada três garfadas volto para o computador“, diz.

Pode até ser que Bertasi realize sua meta e se transforme num milionário. Ele, que mora com um irmão e com a mãe, já sustenta sua casa e foi capaz de comprar um carro blindado. Mas os riscos, assumidos precocemente, podem colocar em xeque seu próprio futuro. Foi o que aconteceu com Stéfano Spinelli. Aos 13 anos, ele decidiu investir na bolsa as economias do pai, Delanei. Começou sem maiores preocupações, apostando no longo prazo.

No ano passado, quando veio a crise e sua carteira derreteu, Spinelli passou a se sentir culpado pelo prejuízo. E fez uma aposta ainda mais arriscada. Mergulhou no day trade. Resultado: recuperou parte dos prejuízos, mas repetiu de ano. O pai, a quem ele pretendia agradar, ficou decepcionado quando soube que o filho fugia da escola e matava aulas para operar na Bovespa. Levou uma dura e mudou o comportamento. “Percebi que sem o colégio não vou entrar numa boa faculdade e trabalhar com investimentos“, diz o garoto.

Na faculdade, eu passava a aula com o laptop ligado acompanhando os pregões e meu sonho é virar gestor

Hoje, ele se dedica um pouco mais aos estudos, mas continua investindo. Tenta apenas se impor uma certa disciplina. Como estuda pela manhã, investe apenas no período da tarde e, depois disso, vai fazer atividades típicas de meninos da sua idade, como jogar videogame e andar de bicicleta.

Mas a bolsa é um jogo muito mais legal. Porque tem estratégia, emoção e dinheiro“, diz Spinelli, que, claramente, ainda não se livrou do vício “Nas férias escolares, vou me dedicar para recuperar ainda mais”, diz. O jogo foi o que motivou também Caio Cordeiro, paulistano de 25 anos, a entrar na bolsa. Mas ele transformou seu vício numa profissão. Aos 19, começou a investir em simuladores na internet.

Quando passou no vestibular (relações internacionais na Faap), seu pai decidiu presenteá-lo com um novo carro. O garoto não quis e pediu o dinheiro para investir em ações. Nunca mais parou. “Eu operava na sala de aula. Passava o tempo todo com o laptop ligado acompanhando o pregão“, diz ele. De lá para cá, Cordeiro conseguiu multiplicar seu investimento inicial por três. “Descobri uma profissão“, diz ele, que trabalha hoje em uma gestora de recursos de São Paulo e quer, no futuro, abrir sua própria gestora.

Assim como Cordeiro, o estudante Guilherme Giron, 23 anos, que cursa o terceiro ano de economia na USP, também conseguiu transformar a paixão pela bolsa em profissão. Investe desde os 16 e trabalha no mercado financeiro desde 2007. Com oito anos de mercado, é quase um veterano. Giron começou trabalhando na mesa de operação de um banco de varejo e hoje está em um private banking.

Não tenho tempo de ficar o dia inteiro acompanhando o mercado e fazendo day trade. Além disso, onde trabalho há um limite mensal de operações que podemos fazer em bolsa“, conta. No entanto, o brilho da bolsa sempre acaba transparecendo em seus olhos. “Se eu não trabalhasse, passaria o dia inteiro fazendo isso“, confessa.

Tais jovens, de perfis tão diferentes, mas que dividem o mesmo fascínio pelos investimentos de curto prazo, tendem a crescer na mesma proporção que a bolsa ganha popularidade. Em fevereiro de 2009, época crítica da crise, investidores de até 25 anos movimentavam mais de R$ 680 milhões. Em agosto, esse número quase dobrou para R$ 1,2 bilhão. Segundo Puga, da corretora Spinelli, a queda da taxa de juros influenciará uma entrada maciça desses investidores na bolsa nos próximos anos.

São pessoas que não terão lembrança do que significa taxa de juros alta. E não fará sentido para eles investir em renda fixa“, prevê. Na verdade, é até saudável que o Brasil forme uma nova geração de investidores, dispostos a assumir riscos e a participar do mercado de capitais. O problema é quando isso ocorre precocemente, sem que esses jovens tenham a maturidade ou o equilíbrio emocional para discernir o que é investimento do que é só um jogo - e que pode ser de altíssimo risco.

João Luis B. Torres
ADVFN BRASIL

www.advfn.com.br

Fonte: ISTO É Dinheiro

Emprego industrial cresce em agosto - Valor da folha cai

O emprego industrial subiu 0,3% em agosto, ante o mês anterior, na série com ajuste sazonal. Foi a segunda variação positiva seguida, como recordou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em nota divulgada nesta quinta-feira (08/10/09).

No comparativo com agosto do ano passado, no entanto, indicador encolheu 6,7%. No acumulado do ano e em 12 meses, também houve recuo, de 5,5% e 3,5%, na ordem.

Levando em conta o comparativo com agosto de 2008, as 14 áreas analisadas pelo IBGE tiveram enxugamento no contingente de trabalhadores, sobressaindo São Paulo (-4,7%), Minas Gerais (-11,4%), região Norte e Centro-Oeste (-10,7%) e Rio Grande do Sul (-9,1%).

Por setor, no total do país, 16 dos 18 segmentos investigados registraram queda no emprego industrial, como meios de transporte (-13,1%), máquinas e equipamentos (-12,4%), produtos de metal (-11,3%) e calçados e artigos de couro (-10%).

No acumulado do ano, 14 localidades e 17 ramos verificaram diminuição no nível do pessoal ocupado assalariado. Os impactos mais significativos vieram, respectivamente, de São Paulo (-4,2%) e meios de transporte (-9%).

Em agosto, o valor da folha de pagamento real da indústria caiu 0,4%, após ficar estável em julho. No ano, a queda acumulada correspondeu a 2,2%. Quanto ao número de horas pagas, foi observado aumento de 0,3% no comparativo mensal, seguindo variação nula em julho. No acumulado do ano, contudo, o indicador está no terreno negativo, com baixa de 6,3%.

Fonte: Globo

Produtores de petróleo cogitam trocar dólar por outras moedas

O ouro atingiu ontem um preço recorde, acima de US$ 1.040 a onça, tanto no mercado à vista quanto no futuro.

Investidores acumulam o metal para preservar o valor de ativos denominados em dólar, em meio ao enfraquecimento da moeda americana e a temores de inflação.

Também contribuíram fatores como boatos sobre a intenção de países produtores de petróleo de trocar o dólar por outra moeda. “Em um ambiente onde os juros são virtualmente zero, o custo adicional de mudar para o ouro é nenhum. Isso dá razão para investidores considerarem o ouro mais desejável“, disse Jack Ablin, diretor do Banco Harris, em Chicago.

O ouro no mercado à vista atingiu o preço recorde de US$ 1.043,45 a onça, mas acabou fechando em alta de 1,9%, valendo US$ 1.036,10. O recorde anterior, de março de 2008, era US$ 1.030,80. Nos Estados Unidos, o contrato futuro para dezembro, o mais ativo, atingiu US$ 1.045 a onça, fechando em US$ 1.039,70, alta de 2,2%.

O corrida começou depois de o jornal britânico The Independent noticiar que países do Golfo e outros países estão em discussões secretas para não mais negociar petróleo na moeda americana. Países árabes, China, Rússia, França e Brasil planejam substituir o dólar nos contratos de petróleo por uma cesta de moedas composta pelo iene, euro, yuan e uma divisa comum a ser criada pelos Estados do Golfo Pérsico.

Encontros secretos ocorreram entre ministros das finanças e presidentes de bancos centrais de Rússia, China, Japão e Brasil para trabalhar no esquema que fará como que o petróleo não tenha mais o preço em dólares“, em um processo de quase uma década, diz o jornal.

Os americanos, que estão a par dos encontros - apesar de não terem descoberto os detalhes - devem enfrentar essa aliança internacional, que inclui aliados leais como o Japão e países árabes do golfo“, acrescenta o diário, especulando, ainda, sobre um conflito entre EUA e China sobre o petróleo.

A cúpula financeira da Arábia Saudita se apressou em desmentir a reportagem. Em declarações ao Estado, o vice-presidente do Banco Central da Arábia Saudita, Mohamed Al-Jasser, garantiu que a história é “pura invenção”. “Não há nenhum fato verdadeiro nessa história”, disse. Ele insistiu que hoje não vê substituto claro para o dólar, nem nos Direitos Especiais de Saque do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nunca escutamos ou discutimos isso, nem secretamente“, disse ao Wall Street Journal o ministro do petróleo do Qatar, Abdullah Bin Hamad AL Attiyah. “Não sabemos de nenhuma dessas discussões“, acrescentou o ministro das Finanças do Kuwait, Mustafa Al Shamali.

Analistas também descartavam que esses encontros estejam ocorrendo, lembrando que alguns países árabes têm as suas moedas indexadas ao dólar. O enfraquecimento da divisa americana teria repercussões em reservas internacionais de muitos países, incluindo o Brasil. Outros, como a China, investem em títulos do tesouro americano. E Abu Dabi, capital dos Emirados Árabes, assim como seus vizinhos, possui um fundo soberano com investimentos bilionários nos EUA.

John Van Schaik, diretor da consultoria de Energy Intelligence, em Nova York, afirmou ao Estado que a ideia sugerida na reportagem não é nova. “Com o déficit fiscal e comercial dos EUA, faz sentido buscar saídas em outras moedas, mas o dólar continuaria presente na cesta“.

Após o desmentido, o dólar se recuperou no fim do dia, fechou estável em relação ao euro e à libra, mas perdeu 0,7% ante o iene. O petróleo fechou em US$ 71,23, com alta de 1,16%. O ouro se valorizou.

Fonte: Último Segundo

Brasil: Exportações recuam nas três categorias de produtos

A queda de 15,2% na média diária exportada na primeira semana de outubro (dias 1º a 4) em relação à média verificada em outubro de 2008 foi provocada pela queda nas vendas externas das três categorias de produtos.

Segundo dados divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as vendas de produtos semimanufaturados caíram 33,5% por conta de ligas de alumínio, ferro-ligas, semimanufaturados de ferro e aço, óleo de soja em bruto, madeira serrada, ferro fundido e celulose.

As exportações de manufaturados tiveram queda de 12,3%, principalmente por conta de motores e geradores elétricos, veículos de carga, automóveis de passageiros, celulares, autopeças, pneus, calçados e etanol; e de básicos, queda de 8,6%, com menores vendas de café em grão, farelo de soja, soja em grão, minério de ferro, algodão em bruto, carne bovina e de frango.

Na primeira semana de outubro, as exportações totalizaram US$ 1,427 bilhão, com média diária de US$ 713,5 milhões ante US$ 781 milhões da média registrada em outubro de 2008. Na comparação com setembro último, quando a média diária exportada chegou a US$ 660,2 milhões, o desempenho na primeira semana de outubro foi 8,1% maior. No período de comparação, as vendas externas de produtos básicos cresceram 13,8% e de manufaturados, 8,4%. As exportações de semimanufaturados, entretanto, caíram 6,3%.

As importações somaram US$ 1,012 bilhão na primeira semana de outubro, com média diária de US$ 506 milhões, uma queda de 35,2% em relação a outubro de 2008 (US$ 781 milhões). Essa retração, segundo o MDIC, ocorreu por conta das menores aquisições de combustíveis e lubrificantes (-73,3%), aviões e partes (-72,8%), bens siderúrgicos (-65,7%), produtos de borracha (-52,5%), adubos e fertilizantes (-46,1%), veículos automóveis e partes (-35,4%), instrumentos de ótica e precisão (-29,5%).

Com relação ao desempenho das importações em setembro deste ano, quando a média diária alcançou US$ 596,9 milhões, houve queda de 15,2% em razão das menores compras de combustíveis e lubrificantes (-56,4%), bens siderúrgicos (-29,9%), veículos automóveis e partes (-27,3%), instrumentos de ótica e precisão (-21,9%), cereais (-19,2%) e equipamentos eletroeletrônicos (-12,0%).

Fonte: ABRIL

Confederação Nacional da Industria (CNI) prevê recuperação da indústria somente em 2010

Ao elevar a projeção da economia para este ano de retração para uma estabilidade a Confederação Nacional da Industria (CNI) afirmou que a indústria ainda continua muito afetada pelos efeitos da crise econômica e que a recuperação somente virá no início de 2010. Segundo o economista Flávio Castelo Branco, o nível dos investimentos e as exportações estão em um nível muito aquém do registrado no período pré-crise.

- A nossa projeção para a economia no ano está ligeiramente melhor que há três meses, mas ainda sim não nos permite traçar um quadro mais positivo para a economia na média do ano - afirmou o economista, justificando que é muito difícil que o país consiga crescer 1% como prevê o governo porque precisaria haver uma reação muito forte dos investimentos e das exportações nos próximos meses.

A estimativa de superávit da CNI para este ano de 2009 deve ser a menor dos últimos anos e ficar em 1,3% do PIB. Com isso, a dívida pública deverá fechar dezembro deste ano em 44% do PIB. Segundo o economista Flávio Castelo Branco, da CNI, a deterioriozação das contas fiscais neste ano é justificada devido à crise, o que levou o governo a aumentar os gastos. Mas ele argumenta, no entanto, que a meta para 2010 preocupa porque algumas despesas, como pessoal, por exemplo, são permanentes.

- Ainda não temos projeção para o superávit de 2010, mas estamos preocupados com essa questão. Em longo prazo é importante manter o superávit e o controle das contas fiscais. O Brasil superou a crise porque essas contas estavam em boa situação - afirmou.

Fonte: O GLOBO

Dívidas das indústrias sobem após a crise mundial

O primeiro trimestre de 2009 será inesquecível para a indústria brasileira. Por más razões. Pequenas, médias e grandes empresas do setor tiveram queda generalizada das vendas, das margens de lucro e da rentabilidade no período. E, ainda, o endividamento e as despesas financeiras dispararam.

Esse é o retrato apontado por um estudo feito em conjunto pela Serasa Experian com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O trabalho foi elaborado com base nos balanços de 213 grandes e 349 pequenas e médias empresas, de capital aberto e fechado. Por questões de confidencialidade, Serasa e Fiesp não divulgam os nomes das companhias ouvidas.

O estudo revela que a margem de lucro das grandes empresas caiu de 17,2% no primeiro trimestre do ano passado para 10,2% no mesmo período deste ano. Nas pequenas e médias, a queda foi menos expressiva, de 10,2% para 9,2%. “As companhias maiores sofreram mais porque parte importante de seus clientes está no exterior, onde a crise se revelou mais grave“, explicou o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho.

A rentabilidade sobre o patrimônio caiu de 4,1% para 0,5% nas grandes (pior resultado desde 2002, primeiro ano da pesquisa) e de 3,1% para 1,7% nas pequenas e médias. Segundo os responsáveis pelo estudo, a cadeia de problemas foi detonada pela forte queda das vendas. Nas grandes, o recuo foi de 7,8% e, nas pequenas e médias, de 10,6%.

Fonte: Estadão

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil melhora, e país ocupa a 75ª posição em ranking

Brasil continua entre nações com desenvolvimento humano elevado. Levantamento reúne dados sobre riqueza, educação e esperança de vida.

Estudo divulgado nesta segunda-feira (5 de Outubro de 2009) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) revela que o Brasil está em 75º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Segundo o levantamento, as condições socioeconômicas melhoraram – em uma escala que vai de 0 a 1, a pontuação do Brasil subiu para 0,813. O Brasil permanece entre as nações com desenvolvimento humano elevado.

O ranking divulgado pelo Pnud é formulado a partir do cruzamento de informações relacionadas a riqueza, educação e esperança média de vida. Os dados analisados correspondem a 2007 e não refletem os efeitos da crise financeira internacional, que teve seu pior momento em setembro de 2008.

A novidade nesta edição, que tem o tema “Ultrapassar barreiras: mobilidade e desenvolvimento humanos“, é a entrada de Listenstaine, Afeganistão e Andorra no relatório, elevando a lista de 179 para 182 nações.

BRIC

O relatório do Pnud também mostra que o Brasil perdeu a liderança entre as nações que compõem o Bric, bloco de países em franco desenvolvimento formado por Brasil, Rússia, Índia e China. O país foi superado pela Rússia que saiu da 73ª posição para a 71ª. O IDH brasileiro, em 75º lugar, é o segundo melhor do ranking, já que China aparece em 92º e a Índia, em 134º. A pontuação do desenvolvimento humano dos indianos é de 0,612, enquadrada na categoria de “desenvolvimento médio”, mesma situação da China, que tem 0,772.

João Luis B. Torres
www.advfn.com.br

Fonte: O Globo

Brasil compra US$ 10 bilhões em bônus e vira credor do FMI (Fundo Monetário Internacional) pela primeira vez

O Brasil se comprometeu formalmente nesta segunda-feira (5 de Agosto de 2009) a adquirir US$ 10 bilhões em bônus do Fundo Monetário Internacional (FMI), assumindo pela primeira vez a posição de credor desta entidade e refletindo seu crescente peso na economia mundial.

Passamos da condição de devedores à de credores. É uma mudança radical“, declarou à imprensa o ministro da Fazenda, Guido Mantega, após entregar uma carta ao diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn.

Mantega havia anunciado que o Brasil emprestaria US$ 10 bilhões ao FMI em junho. Em abril, quando a ideia de um eventual empréstimo ao FMI foi divulgada pela primeira vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perguntou a jornalistas que cobriam o encontro do G20 em Londres: “Você não acha muito chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI?

É um momento histórico para nós. É a primeira vez na história que o Brasil empresta recursos ao FMI - e, portanto, à comunidade internacional“, destacou Mantega, que participa em Istambul da reunião anual do Fundo.

O ministro lembrou que o Brasil se beneficiou em 2002 de um pacote de US$ 30 bilhões do FMI para enfrentar as turbulências e a onda especulativa provocadas pela eleição de Luis Inácio Lula da Silva à presidência. Foi o maior valor já emprestado pelo organismo financeiro.

Aplicando uma rigorosa política fiscal, Lula saldou toda a dívida no final de 2005.

O Brasil está entre os países que estão conseguindo superar bem a crise econômica mundial, após atravessar uma breve recessão. Mantega fez o anúncio três dias depois da vitória do Rio de Janeiro na disputa pela organização dos Jogos Olímpicos de 2016, ao derrotar as finalistas Chicago, Tóquio e Madri.

Na carta, entregue em mãos a Strauss-Kahn, o Brasil se compromete a “assinar um acordo de compra de bônus emitidos pelo Fundo no valor de US$ 10 bilhões de dólares, sob condições que serão estabelecidas no contrato que assinaremos“, explicou Mantega. “Faremos uma assinatura por dois anos“, indicou o ministro, acrescentando que o acordo será ratificado “nos próximos dias”.

É importante dizer que nós estamos colocando uma parte de nossas reservas, mas isto não significa uma diminuição da disponibilidade de recursos para o Brasil. É apenas uma mudança de ativos“, ressaltou Mantega, lembrando que o país decidiu comprar bônus que podem ser vendidos a outros países, sem dar o dinheiro diretamente ao FMI.

Com estes recursos, o FMI poderá ajudar os países que precisam de liquidez“, disse o ministro, explicando que, com esta atitude, o Brasil responde a um apelo feito por Strauss-Kahn aos membros do Fundo para que não acumulem reservas e usem parte delas para dar à instituição os recursos necessários para contribuir com a recuperação da economia.

BRIC

Segundo Mantega, os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) decidiram comprar um total de US$ 80 bilhões em bônus do fundo; US$ 50 bilhões serão adquiridos por Pequim e US$ 30 bilhões igualmente divididos por Brasília, Moscou e Nova Délhi.

Agora, os quatro países vão negociar a possibilidade de colocar seus títulos nos Novos Acordos para a Obtenção de Empréstimos (NAP), programa que permitirá ao FMI dispor de 500 bilhões de dólares para conceder empréstimos rápidos a países em dificuldades.

Os BRICs, no entanto, condicionam esta decisão a uma garantia de que seu poder de decisão seja proporcional à contribuição feita ao NAP. O Fundo, por sua vez, se comprometeu no domingo a aumentar em pelo menos 5% as cotas dos países emergentes até 2011.

Os US$ 80 bilhões dos BRICs representam 16% dos 500 bilhões previstos pelo programa, porcentagem que daria ao grupo de quatro países uma minoria de bloqueio.

No domingo, Strauss-Kahn anunciou que sua instituição necessitava de um “aumento considerável” de seus recursos para ajudar os países mais afetados pela crise, a maior desde a Grande Depressão da década de 30.

João Luis B. Torres
www.advfn.com.br

Fonte: O Globo

Taxa de juros para 2010 - juros estáveis ou alta gradual no primeiro semestre?

Aumento das projeções de inflação no Relatório de Inflação de Setembro.

Em relação ao documento de junho, o Banco Central elevou as projeções para a inflação IPCA em 2009 e 2010, que permaneceram abaixo do centro da meta de inflação de 4,5%. No cenário de referência, o Banco Central elevou a projeção para a inflação IPCA de 4,1% para 4,2% em 2009 e de 3,9% para 4,4% em 2010. No cenário de mercado, a projeção para 2009 permaneceu estável em 4,2% e, para 2010, aumentou de 4,2% para 4,4%.

Atividade doméstica tornou-se o principal fator de risco para o aumento da inflação. O Relatório de Inflação de junho apontava que os riscos para a inflação resultavam, principalmente, “da duração e da magnitude da crise mundial, bem como de seus desdobramentos sobre a trajetória da atividade econômica doméstica”. Entendemos que o documento de setembro concentrou a avaliação sobre os principais riscos para a dinâmica de inflação eminentemente nos fatores domésticos. Embora a autoridade monetária tenha continuado a apontar que “o ritmo da recuperação econômica ainda não está claro”, o documento apresentou um cenário de menor incerteza sobre a retomada da atividade doméstica em relação aos documentos anteriores.

Relatório destaca importância dos estímulos fiscais para a dinâmica da inflação. Em diversas passagens, o documento de setembro reforçou o papel da política fiscal na determinação da dinâmica da atividade e da inflação. Por exemplo, o aumento da projeção de inflação no 2S10 é explicada, em parte, pelos “impulsos fiscais esperados para o segundo semestre de 2009 e o primeiro de 2010”. O documento também assinala que o recuo da projeção de inflação no 2T11 “reflete a expectativa de que ao menos em parte esses estímulos fiscais sejam retirados a partir do 2S10”.

Mantemos expectativa de Selic em 8,75% até o fim de 2010. Nossa projeção para os juros deve-se à nossa expectativa de:

(i) desaceleração do PIB em 2010 ante o 2S09;
(ii) retomada dos investimentos;
(iii) aumento moderado dos preços de commodities; e
(iv) apreciação cambial para R$ 1,70/US$ em 2009 e estabilidade nesse nível em 2010.

Julgamos que o cenário alternativo mais provável seria o de alta gradual dos juros no 1S10. Avaliamos que os riscos de aumento expressivo da inflação no próximo ano são baixos e associados, principalmente, a eventual alta significativa dos preços de commodities. A manutenção, em 2010, do crescimento do PIB que esperamos para o 2S09 elevaria o risco de alta de juros no próximo ano. A menos que essa expansão do PIB seja acompanhada de forte alta da inflação, entendemos que o ajuste seria bem inferior ao apreçado na curva de juros de mercado (375pb, em 25 de setembro). Assumindo que não haja alta expressiva da inflação no início do ano mas que o crescimento do PIB continue próximo ao do 2S09, julgamos que o cenário mais provável seria o de aumento gradual dos juros de 25pb por reunião no 1S10.

Fundos de Investimento - Temporada de caça ao tesouro

Gestores devem criar carteiras para atrair recursos de fundos de pensão liberados por novas regras.

Está aberta a temporada de caça aos bilhões que os fundos de pensão poderão investir a mais em ações, multimercados, fundos imobiliários e no exterior. De imediato, a maioria dos analistas descarta a possibilidade de uma movimentação grande de recursos entre aplicações. Contudo, os gestores já procuram formas de atrair parte dos R$ 500 bilhões de patrimônio das fundações com alternativas de diversificação.

A flexibilização pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) das regras de investimento das fundações pode estimular, por exemplo, o desenvolvimento do mercado de fundos que aplicam no exterior. Desde que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) regulamentou, em fevereiro do ano passado, a criação de carteiras dedicadas a investir 100% do patrimônio lá fora, foram poucas as casas que se aventuraram por esse caminho.

Como esse é um nicho que está começando do zero no país, os gestores vão ter de se mexer e isso significa correr para lançar fundos e criar um histórico“, afirma o vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello. A própria SulAmérica vai seguir essa linha, conta o executivo.

O limite para aplicações fora do país pelos fundos de pensão foi ampliado de 3% para 10% na nova Resolução 3792 do CMN, que substituiu a 3456. A alteração pode não parecer significativa, uma vez que as entidades não estavam usando o percentual permitido. Só que 3% não era uma parcela considerada relevante pelas fundações que justificasse a análise desse tipo de aplicação, explica o sócio da da Gávea Investimentos, Marcelo Stallone. Com 10%, já começa a fazer sentido, destaca.

Stallone acredita que a maior movimentação dos gestores tende a ser para aproveitar essa oportunidade. “Quem tiver condição de oferecer gestão no exterior vai lançar fundo para atrair esse novo público“, diz. Ele lembra que esse mercado não deslanchou porque a iniciativa da CVM de internacionalização dos fundos ocorreu justamente no ano da crise global, quando falar de aplicação no exterior assustava.

Para os gestores internacionais, a flexibilização das regras de investimento no exterior tornou o mercado brasileiro muito mais interessante, ressalta Mello, da SulAmérica. Ele acredita que a medida deve atrair mais instituições ao país, a exemplo do que ocorreu no Chile e no México.

Os fundos multimercados também foram beneficiados pela novas regras para as entidades fechadas de previdência, segundo os especialistas. Assim como no caso das aplicações no exterior, o limite para essas carteiras subiu de 3% para 10%. As fundações também não perdiam tempo analisando a aplicação em fundos hedge e isso deve mudar daqui para frente, afirma Mello. Os gestores, porém, estão preparados. “Há uma ampla gama de multimercados.”

O executivo pondera, no entanto, que os novos limites não vão ser tomados de uma hora para outra, não no curto prazo. Mas, segundo ele, é importante ter um arcabouço legal que dê mais flexibilidade para as fundações baterem suas metas atuariais.

No passado, com os juros altos, os fundos de pensão já começavam o ano ganhando o jogo, não havia incentivos para buscar opções, lembra o sócio da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa. Hoje, afirma ele, mesmo que a taxa de juros volte para casa dos 10% em 2010, conforme já se projeta, a situação para bater a meta é apertada para as entidades, de 6% além da inflação.

Póvoa acredita que os fundos de pensão vão buscar primeiro ampliar a parcela em ações e multimercados. A aplicação no exterior será o último passo, segundo ele, por conta da falta de experiência das fundações. Para o sócio da Modal, o investimento lá fora deveria ser encarado como uma alternativa de diversificação, e não apenas do ponto de vista de retorno como enxergam as fundações. “Mas o processo de mudança será gradual“, prevê.

A flexibilização abre caminho para os fundos de pensão investirem no exterior, aumentar a parcela de ações, mas não será isso que vai acontecer necessariamente, diz José de Souza Mendonça, presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência (Abrapp). “Sem a Previ, a média da participação das ações na carteira dos fundos é de 18,5%, portanto, já haveria espaço para aumentar“, diz.

No caso dos investimentos no exterior ocorre o mesmo, diz Mendonça, lembrando que a média de aplicações dos fundos está em 1%, um terço do limite anterior de 3%. “Mas claro que, com um limite maior, de 10%, já vale mais a pena para o gestor do fundo estudar a aplicação lá fora, até porque ninguém vai sair aplicando sem saber direito como essas aplicações funcionam“, diz. O mesmo raciocínio vale para as ações. Para Mendonça, a grande mudança foi a autorização para operações estruturadas, que englobam os fundos de direitos creditórios (FIDC) e que acabavam entrando no limite de renda fixa. “E os fundos imobiliários reduziam a parte relativa aos imóveis.”

Mendonça admite que os fundos de pensão vão correr mais risco. “Mas viver é correr risco, o que se pode fazer?” questiona. Outro ponto é a necessidade de diversificação. “Há três anos, para cada título público eu tinha um de empresa privada“, lembra Mendonça. “Hoje já é um público por um privado e não sei onde vou parar, por isso essa flexibilidade maior vai me permitir um melhor planejamento“, diz.

A decisão de aumentar a parcela de ações vai também depender do perfil de cada fundo. “Carteiras novas, que vão demorar a pagar benefícios, podem correr mais risco, outras mais antigas não“, diz. O tamanho dos fundos influenciará. “Mas a diversificação será maior“, diz ele, lembrando que, nos últimos 15 anos, o retorno da bolsa acima da inflação foi de 9%, enquanto o da renda fixa foi de 12%. “Com juro acima de 12%, não fazia sentido ir para a renda variável, mas agora isso mudou”, diz.

Estudo do banco inglês Barclays mostra que hoje a maioria dos fundos de pensão tem menos de 20% de seu patrimônio investido em bolsa, apesar de a média do segmento ser de 30,4% em maio. Isso se deve ao fato de alguns fundos com elevado patrimônio estarem bem acima do limite, caso da Previ, do Banco do Brasil, que tem 70% aplicados em renda variável. Os fundos de pensão chegaram a ter em média 37,7% em ações em maio de 2008, segundo o Barclays. Mas o pico de todos os tempos foi em 1994, quando a participação da renda variável bateu 43% do total de ativos. Entre 1997 e 1999, a participação saiu de 29% para 38,5%.

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